Jornal Correio Braziliense

Brasil

Política sempre fez parte do dia a dia do escritor e dramaturgo

Quando tinha apenas 3 anos, Ariano Suassuna perdeu o pai, que acabou assassinado quando era ex-governador da Paraíba e deputado federal

Ariano Suassuna conheceu a política em casa. E da forma mais cruel possível. Quando tinha apenas 3 anos, seu pai, João Suassuna, ex-governador da Paraíba e deputado federal, acabou assassinado pelas costas por um pistoleiro no Rio de Janeiro durante a chamada Revolução de 1930. O assunto nunca foi totalmente digerido pelo escritor. Era tratado com bastante cautela até por seus assessores. Atordoada pelo crime cometido em razão de disputas políticas na Paraíba, a família de Ariano deixa a cidade de João Pessoa e vai morar em Taperoá, no interior. Ele só chega ao Recife em 1942.

Na capital pernambucana, Ariano morava com a mulher, Zélia, na Rua do Chacon, uma espécie de república socialista no bairro do Poço da Panela, na Zona Norte da cidade. Seu vizinho de frente era o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes de Alencar, falecido em 2005. Uma casa depois, morava o poeta Maximiano Campos, que morreu em 1998, pai do candidato do PSB à Presidência da República em outubro próximo, Eduardo Campos.

E foi pelas mãos de Arraes que Ariano aceitou fazer parte da sua terceira gestão à frente do governo pernambucano. Entre 1994 e 1998, comandou a pasta da Cultura. Funcionava muito mais como um símbolo do que como um gestor eficaz. Antes, o escritor paraibano participou do Movimento de Cultura Popular (MCP), criado em 1960 durante a gestão de Arraes à frente da Prefeitura do Recife.

Em 2006, quando Eduardo Campos se candidatou ao governo de Pernambuco, Ariano virou a principal estrela da propaganda eleitoral do pessebista. Apareceu contando ;causos; engraçados, prestando depoimentos e até cantando a música Madeira que cupim não rói, de Capiba, que virou hino da campanha de Campos. Um clipe com Ariano e Eduardo juntos em cima de um trio elétrico cantarolando a música encerrou a propaganda eleitoral daquele ano.

Campanha

O dramaturgo assumiu a Secretaria de Cultura durante o primeiro governo de Campos. Depois, virou secretário-chefe da Secretaria Especial de Assessoria do Governador na última gestão. Em 2012, participou ativamente da campanha vitoriosa de Geraldo Julio (PSB) para a Prefeitura do Recife.

No plano nacional, apoiou as candidaturas de Lula e, na última eleição, da presidente Dilma Rousseff. Em 2006, apareceu na propaganda eleitoral do PT pedindo voto para a maior estrela petista. Agora, mesmo com os recorrentes problemas de saúde e o pavor de viajar de avião, mergulhou na campanha de Eduardo Campos e Marina Silva. Com a voz fraca, o presidente de honra do PSB discursou durante o anúncio oficial da pré-candidatura da dupla, em Brasília, em 14 de abril deste ano. (JV)