Brasil

Ebola: especialista pede por mais centros de referência no Brasil

A estratégia adotada pelo Ministério da Saúde neste momento é que cada estado tenha um serviço de referência, para onde o paciente com suspeita de ebola seja levado e mantido em quarentena

postado em 13/10/2014 16:17
O plano brasileiro de contingência em relação à epidemia de ebola registrada na África Ocidental é pertinente, apropriado e atualizado, mas poderia contar com mais hospitais de referência do que os eleitos pelo governo até agora. A avaliação é do epidemiologista membro da Sociedade Brasileira de Epidemiologia, Rodrigo Nogueira.

Em entrevista à Agência Brasil, Nogueira avaliou o desempenho do país na detecção do primeiro caso suspeito de ebola ; um homem de 47 anos, proveniente da Guiné, que procurou o serviço de saúde de Cascavel, no Paraná, após apresentar febre. Para Nogueira, o registro do caso indica que o plano está capilarizado e demonstra que municípios considerados de baixo risco por não contarem com portos e aeroportos internacionais estão atendendo bem ao protocolo.

Nogueira destacou como ponto positivo o critério adotado pelo governo brasileiro para a definição de caso suspeito de ebola, que leva em conta a procedência do indivíduo e a presença de febre. ;É uma definição que não espera que surjam outros sintomas, como vômito e diarreia e é, portanto, um sistema de vigilância bastante sensível;, ressaltou.

Para o epidemiologista, uma forma de aprimorar o plano seria ampliar o número de hospitais de referência no país. A estratégia adotada pelo Ministério da Saúde neste momento é que cada estado tenha um serviço de referência, para onde o paciente com suspeita de ebola seja levado e mantido em quarentena. Em seguida, ele deve ser transferido para o Instituto Nacional de Infectologia, no Rio de Janeiro, onde vai receber tratamento.

;Em São Paulo, por exemplo, temos um único hospital de referência, o Emílio Ribas. Mas temos duas portas de entrada importantes, que são o Porto de Santos e o Aeroporto Internacional de Campinas [Viracopos]. Acredito que o número de serviços de referência vai ter que ser eventualmente discutido para considerar algumas particularidades locais, como as condições de vulnerabilidade que suscitam um serviço de atendimento local;, ressaltou Nogueira.



Sobre a possibilidade de o Brasil adotar uma triagem de chegada em portos e aeroportos, como já está sendo feito nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, Nogueira lembrou que esse tipo de estratégia é considerado vulnerável. Isso porque a pessoa infectada pode levar até 21 dias para apresentar sintomas da doença e iniciar a transmissão do vírus.

;Nosso grande desafio não é detectar casos em portos e aeroportos, mas identificar casos em um país com dimensões continentais como o Brasil;, disse. ;A triagem de saída dos países infectados é uma questão importante. Já a triagem de entrada é limitada. O mais importante é tornar nossa rede de assistência pública e privada, das capitais e do interior, sensível para pensar casos suspeitos;, completou.

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