Mais quatro comunidades quilombolas foram reconhecidas, oficialmente, neste domingo (16/11), pelo governo estadual, em ato ocorrido na Feira Paulista de Assentamentos e Quilombos (Fepaq), no Parque da Água Branca, em São Paulo. A medida marca o Dia Nacional da Consciência Negra, a ser comemorado no próximo dia 20.
Com essa ação, sobe para 32 o total de comunidades do gênero já reconhecidas no estado, a maioria delas (25) localizadas no Vale do Ribeira. Na prática, significa que 1.395 famílias estarão recebendo assistência técnica profissional de agrônomos , veterinários, biólogos, técnicos agrícolas, economistas, assistentes sociais, entre outros, além de insumos e materiais para instalação de infraestrutura para produção e comercialização agrícola.
Nas quatro comunidades reconhecidas hoje vivem 86 famílias. A que reúne o maior número (38) é a Abobral Margem Esquerda, nome dado pelo fato de estar localizada à esquerda do Rio Ribeira de Iguape, no município de Eldorado. Este quilombo, com área de 3,4 mil hectares, existe desde o século 17, e chegou a ser um polo de produção de arroz, no século 19, cultivado por homens e mulheres negros, descendentes de escravos ou fugitivos do trabalho escravo.
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Apesar de ocupar a segunda posição em número de integrantes (17 famílias), a Aldeia, em Iguape, é a que detém o maior lote territorial (7.350 hectares). À beira do Rio Una, na divisa com a Estação Ecológica da Jureia, surgiu com o casal João Miguel Dias e Leudobina Miguel, cujo pai teria sido fazendeiro português.
Os descendentes do casal formam o povoado que ainda mantém o manejo antigo, com o trato de animais de pequeno porte, lavoura de subsistência, além de pesca e atividades extrativistas. A ideia é abrir novos nichos de oportunidades de retorno às famílias com a criação do turismo cultural e ecológico.
Outras 16 famílias, que tiveram o reconhecimento de quilombolas, é a da comunidade Bombas, em Iporanga, em uma área de 2,512 mil hectares, próximo a Itaóca. O caminho até o local é feito por trilhas entre nascentes, florestas, córregos e cavernas. Para o transporte de pessoas e de carga, os moradores ainda seguem a rotina antiga de usar burros ou cavalos.
[SAIBAMAIS] As 15 famílias restantes são da comunidade Engenho, localizada na margem direita do Rio Ribeira de Iguape, em Eldorado. Elas são formadas por descendentes de escravos fugitivos da Fazenda Caiacanga e estão espalhadas por 487 hectares, onde há cultivo de roças, principalmente, bananais. "Agora, a nossa expectativa é conseguir o título de propriedade e a ajuda que o governo dá a quem tem o reconhecimento;, disse Leonila Priscila da Costa Pontes, de 65 anos, da comunidade Abrobal. Segundo ela, o reconhecimento ocorre após 35 anos de luta.
A secretária de Justiça e Defesa da Cidadania, Eloísa de Souza Arruda, informou que o processo é demorado por ser um trabalho muito complexo, no sentido de se apurar a veracidade da origem. Ela admite que apesar dos efeitos benéficos do reconhecimento, ;ainda há muito o que fazer para superação do racismo. Infelizmente, ainda temos manifestações racistas como os episódios lamentáveis envolvendo os jogadores de futebol;.
De acordo com a secretária, parte dos produtos dessas comunidades poderá ser adquirida pelo próprio governo, e destinada aos restaurantes populares do programa Bom Prato ou para alimentação de presos, entre outros. Durante a assinatura dos termos de reconhecimento, os integrantes de comunidades quilombolas expuseram seus produtos na Fepaq, que passou a fazer parte do Calendário Turístico do Estado pela Lei n; 15.511. Em sua nona edição, o evento reuniu 90 produtores rurais e 54 barracas com produtos in natura (bananas), artesanato de fibras de bananeiras, palmito pupunha e alimentos processados.
;A produção que a gente vendia para atravessador, hoje vai direto para a Central de Abastecimento (Ceasa) de Campinas e para a prefeitura de Embu. Hoje temos a certificação da produção e acesso à licença ambiental para as roças, à internet, a médicos e estradas ;, citou Benedito Alves da Silva, 59 anos, líder comunitário quilombola.
Com essa ação, sobe para 32 o total de comunidades do gênero já reconhecidas no estado, a maioria delas (25) localizadas no Vale do Ribeira. Na prática, significa que 1.395 famílias estarão recebendo assistência técnica profissional de agrônomos , veterinários, biólogos, técnicos agrícolas, economistas, assistentes sociais, entre outros, além de insumos e materiais para instalação de infraestrutura para produção e comercialização agrícola.
Nas quatro comunidades reconhecidas hoje vivem 86 famílias. A que reúne o maior número (38) é a Abobral Margem Esquerda, nome dado pelo fato de estar localizada à esquerda do Rio Ribeira de Iguape, no município de Eldorado. Este quilombo, com área de 3,4 mil hectares, existe desde o século 17, e chegou a ser um polo de produção de arroz, no século 19, cultivado por homens e mulheres negros, descendentes de escravos ou fugitivos do trabalho escravo.
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Apesar de ocupar a segunda posição em número de integrantes (17 famílias), a Aldeia, em Iguape, é a que detém o maior lote territorial (7.350 hectares). À beira do Rio Una, na divisa com a Estação Ecológica da Jureia, surgiu com o casal João Miguel Dias e Leudobina Miguel, cujo pai teria sido fazendeiro português.
Os descendentes do casal formam o povoado que ainda mantém o manejo antigo, com o trato de animais de pequeno porte, lavoura de subsistência, além de pesca e atividades extrativistas. A ideia é abrir novos nichos de oportunidades de retorno às famílias com a criação do turismo cultural e ecológico.
Outras 16 famílias, que tiveram o reconhecimento de quilombolas, é a da comunidade Bombas, em Iporanga, em uma área de 2,512 mil hectares, próximo a Itaóca. O caminho até o local é feito por trilhas entre nascentes, florestas, córregos e cavernas. Para o transporte de pessoas e de carga, os moradores ainda seguem a rotina antiga de usar burros ou cavalos.
[SAIBAMAIS] As 15 famílias restantes são da comunidade Engenho, localizada na margem direita do Rio Ribeira de Iguape, em Eldorado. Elas são formadas por descendentes de escravos fugitivos da Fazenda Caiacanga e estão espalhadas por 487 hectares, onde há cultivo de roças, principalmente, bananais. "Agora, a nossa expectativa é conseguir o título de propriedade e a ajuda que o governo dá a quem tem o reconhecimento;, disse Leonila Priscila da Costa Pontes, de 65 anos, da comunidade Abrobal. Segundo ela, o reconhecimento ocorre após 35 anos de luta.
A secretária de Justiça e Defesa da Cidadania, Eloísa de Souza Arruda, informou que o processo é demorado por ser um trabalho muito complexo, no sentido de se apurar a veracidade da origem. Ela admite que apesar dos efeitos benéficos do reconhecimento, ;ainda há muito o que fazer para superação do racismo. Infelizmente, ainda temos manifestações racistas como os episódios lamentáveis envolvendo os jogadores de futebol;.
De acordo com a secretária, parte dos produtos dessas comunidades poderá ser adquirida pelo próprio governo, e destinada aos restaurantes populares do programa Bom Prato ou para alimentação de presos, entre outros. Durante a assinatura dos termos de reconhecimento, os integrantes de comunidades quilombolas expuseram seus produtos na Fepaq, que passou a fazer parte do Calendário Turístico do Estado pela Lei n; 15.511. Em sua nona edição, o evento reuniu 90 produtores rurais e 54 barracas com produtos in natura (bananas), artesanato de fibras de bananeiras, palmito pupunha e alimentos processados.
;A produção que a gente vendia para atravessador, hoje vai direto para a Central de Abastecimento (Ceasa) de Campinas e para a prefeitura de Embu. Hoje temos a certificação da produção e acesso à licença ambiental para as roças, à internet, a médicos e estradas ;, citou Benedito Alves da Silva, 59 anos, líder comunitário quilombola.