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Estado de Minas

Sociedade Brasileira de Pediatria questiona regra do teste da linguinha

Não há consenso sobre a necessidade de intervenção cirúrgica, segundo especialistas


postado em 23/12/2014 08:41 / atualizado em 23/12/2014 09:13

Na semana em que entrou em vigor a lei que exige o teste da linguinha em recém-nascidos, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou nota para questionar a regra. Especialistas da entidade afirmam que não há consenso sobre a necessidade da intervenção cirúrgica em casos de diagnóstico de alteração na membrana da língua.

Desde ontem, hospitais e maternidades das redes pública e particular são obrigados a fazer o teste — que pode ser realizado por qualquer profissional de saúde. O objetivo do exame é detectar alterações no chamado frênulo, também conhecido como freio, que liga a língua à parte inferior da boca. Quando essa ligação é mais próxima da ponta do órgão, pode causar dificuldades para comer e falar, a anquiloglossia, popularmente chamada de língua presa.

O texto da SBP é produzido em conjunto pelos departamentos de Neonatologia e de Otorrinolaringologia e foi referendado pelo conselho superior da entidade. Eles reclamam de não terem sido chamados a darem parecer durante o processo de tramitação do projeto de lei no Congresso Nacional e que “não existem quaisquer evidências científicas” que justifiquem a legislação. “A avaliação do frênulo lingual faz parte da rotina do exame físico do recém-nascido e, portanto, realizado pelo pediatra assistente antes da alta hospitalar”, diz o documento. A SBP argumenta ainda que a justificativa dada para aprovar o projeto de lei usou uma amostragem muito pequena de bebês, que não corresponde à realidade.

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Os especialistas destacam ainda estudos internacionais sobre critérios de diagnóstico, indicações e necessidade de tratamento da anquiloglossia, assim como opções de tratamento para pacientes em diferentes faixas etárias. A nota ressalta a falta de definição e de classificação única sobre a anquiloglossia, o que impede comparações entre os estudos e mantém a controvérsia se a anomalia precisa ser removida cirurgicamente ou se pode ser deixada sob observação.

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