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Estado de Minas

Corre, Ana, corre!


postado em 09/09/2015 00:17

Aparentemente, correr é uma atividade física simples. Basta comprar um tênis apropriado, estar bem de saúde e fazer aquilo que aprendemos lá na infância. Parece de fato muito trivial. Mas não é não. É complexo, caros leitores, bem complexo esse negócio de acelerar o passo. É uma festa para os sentidos, para o corpo, para as emoções. Voltei a correr depois de um ano e, sou forçada a dizer, existem poucas coisas na vida mais prazerosas do que sentir essa descarga enérgica — do início do percurso ao fim do dia de treino.

Devo isso a um profissional de educação física e a uma fisioterapeuta dedicados, sérios, apaixonados pelo que fazem. A Patrícia Michele Barros e Fernando Cartaxo, meu agradecimento fraterno. Competentes e aplicados, profissionais como os dois recuperam as pessoas, salvam-nas de suas dores físicas, que por vezes têm o poder de lesar a alma também. A corrida reabilita para a vida, não exatamente a esportiva. A mobilidade que ganhamos, seja num trote, seja numa maratona, levamos para outras dimensões de nossa rotina. Eu atesto: correr não é tábua rasa de salvação; correr é milagroso.

Não estou sozinha nessa conclusão, obviamente. Recentemente recebi um banho de inspiração sobre a prática da corrida. O mais recente livro do médico Drauzio Varella, Correr, é refrescante como um banho de cachoeira, benéfico mesmo quando te paralisa momentaneamente. Da orelha ao ponto final, ele traduz com riqueza e simplicidade a experiência de ser movido por um hábito capaz de reabilitar — não apenas o corpo, mas o viver. Não é um livro médico, embora fale também de saúde; é um testemunho.

Aos 50 anos, portanto há mais de duas décadas, dr. Drauzio corre. Já participou de uma porção de maratonas desde que se impôs como objetivo e obrigação desafiar a ideia de decadência, que nos invade tão logo a meia-idade mostra sua força. Sim, há riscos de lesões e há dúvidas médicas sobre uma porção de coisas relacionadas à corrida. Mas o prazer e o bem-estar físico anulam conjecturas. O médico vai bem, obrigada. Vamos todos bem, aliás, quando deixamos o corpo vívido seguindo seu curso, experimentando todo o potencial que a natureza nos proporcionou. Só assim a mente repousa.

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