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Estado de Minas

Estados brasileiros se mobilizam para combater microcefalia

Além de Pernambuco, onde há 141 casos da malformação, foram registradas nos últimos meses 30 suspeitas no Rio Grande do Norte, 49 em Sergipe e 16 no Piauí. No Distrito Federal, não foram registradas alterações nas estatísticas


postado em 13/11/2015 06:06 / atualizado em 13/11/2015 00:16

Após a declaração de emergência em saúde pública decretada pelo Ministério da Saúde, os estados começam a se mobilizar para monitorar e investigar os casos de microcefalia, em especial na região Nordeste. Além de Pernambuco, onde há 141 casos da malformação, foram registradas nos últimos meses 30 suspeitas no Rio Grande do Norte, 49 em Sergipe e 16 no Piauí – números maiores que a média anual da série histórica de cada estado. A microcefalia é caracterizada pelo tamanho reduzido da circunferência da cabeça da criança, que, normalmente, é maior que 33 centímetros.

Em Sergipe, 29 dos 49 bebês com a condição nasceram na mesma maternidade em Aracaju. “O que chama atenção é que mais de 90% das mães desses recém-nascidos tiveram reações exantemáticas (manchas avermelhadas pelo corpo, como as causadas por alergias, dengue, zika e chikungunya) durante a gestação. Notificamos a Vigilância Epidemiológica de todos os casos e aguardamos notas de providências técnicas pelo Ministério da Saúde”, disse Luís Eduardo Prado Correia, superintendente da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes. Nos demais estados do Nordeste, a situação segue estável, mas as secretarias de saúde informaram que estão prontas para atuar segundo o protocolo de notificação e procedimentos elaborado pelo Ministério.

No Distrito Federal, três crianças nasceram com a malformação em 2015, número próximo ao dos anos anteriores. No Rio de Janeiro, não houve aumento dos casos, mas um plano de ação começou a ser preparado após o anúncio de estado de emergência. Alexandre Chieppe, subsecretário de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde (RJ), lembra que a microcefalia não é um agravo de notificação compulsório, algo que pode mudar com o plano estadual para intensificar o monitoramento. “As informações são muito recentes. O Rio de Janeiro tem evidências de circulação do zika vírus e, apesar de não haver ainda ligação entre ele e a microcefalia, queremos entender o comportamento dessa doença que é muito nova.”

O zika, especulado como uma das possíveis causas para a malformação, é transmitido pelo mesmo mosquito que propaga a dengue e causa febres, dores e manchas vermelhas pelo corpo. No Brasil, o vírus foi identificado em 14 estados. O acompanhamento de grávidas que apresentarem sintomas como as manchas também é um ponto que o plano de ação do Rio de Janeiro deve abranger, mas o Ministério da Saúde não confirmou a ligação entre o zika e a microcefalia.

A condição pode ser causada por infecções, como toxoplasmose, rubéola ou citomegalovírus; privação de oxigênio pelo feto; doenças genéticas e consumo de alguns medicamentos e substâncias tóxicas pela mãe durante a gravidez. “A microcefalia sempre existiu, mas não na quantidade que agora foi relatada. Foi uma atitude adequada declarar a situação de emergência”, afirmou Saul Cybel, presidente do Departamento de Neurologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo. A microcefalia pode provocar comprometimentos mentais, visuais e motores, mas a intensidade é variável.

A partir de agora, segundo o especialista, o governo deve intensificar a investigação das razões para o aumento e oferecer acompanhamento adequado para as crianças.

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