Jornal Correio Braziliense

Brasil

Pesquisadores e ONGs avaliam área devastada ao longo do Rio Doce

Equipes percorrem a área desde o rompimento da barragem da Samarco, há 46 dias, e produzem estudos e relatos sobre o novo cenário

Na semana passada, o Giaia apresentou o primeiro relatório de qualidade da água, que mostrou presença de metais pesados, incluindo na água tratada de Governador Valadares ; dados conflitantes com os publicados pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que mostravam que os níveis estavam dentro dos limites aceitáveis. Desde novembro, o Giaia arrecadou pouco mais de R$ 80 mil por meio de campanha na internet e o próximo passo é formalizar o grupo ; ainda não está decidido se será uma Organização não-governamental (ONG) ou Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). ;Algumas pessoas se organizaram com plano de trabalho e apresentaram orçamentos. Agora a gente vai buscar financiamentos a longo prazo para continuar nosso trabalho;, disse Pavan.

Enquanto isso

A Vale informou ontem, por meio de nota, que a liminar da Justiça Federal de Minas, que determina a indisponibilidade das licenças de concessões para exploração de lavra registradas pela empresa, não limita suas atividades de produção e comercialização. A decisão judicial, que se estende à BHP Billiton, foi concedida na sexta-feira pelo juiz substituto da 12; Vara da Justiça Federal, Marcelo Aguiar Machado. A companhia acrescentou que ainda não foi notificada, mas que vai recorrer da decisão. Na liminar, o juiz também bloqueia os bens da Vale e BHP Billiton, que controlam a Samarco. Já o Ministério Público está investigando a diferença entre o que era previsto no plano de emergência da Samarco e o que realmente ocorreu com o rompimento da barragem, o que revelaria uma insuficiência ou omissão de estudos envolvidos no processo de licenciamento, já que o documento previva lama só até Bento Rodrigues, embora a onda de rejeitos da mineradora tenha chegado até o Oceano Atlântico.

Degradação já anunciada
Antes mesmo de a lama da Barragem do Fundão, da mineradora Samarco, agravar ainda mais o já crítico estado do Rio Doce, o Estado de Minas denunciava a degradação do manancial. A série ;Amarga agonia;, publicada no EM nos dias 12 e 13 de julho e finalista do Prêmio Esso 2015 na categoria Regional Centro-Oeste, mostrou a situação extrema da bacia, desde a nascente até a foz do manancial, ao longo de 850 quilômetros de extensão. As reportagens de Mateus Parreiras, Guilherme Paranaiba, Alexandre Guzanshe e Leandro Couri mostraram que o desmatamento e o despejo de esgoto na calha do rio e de seus afluentes, aliados à falta de chuvas dos últimos anos, culminaram na interrupção do leito em sua chegada tradicional ao Oceano Atlântico, no distrito de Regência Augusta, em Linhares, no Espírito Santo.