Brasil

Microcefalia: comprometimentos de saúde são certos e têm assustado as mães

Malformação relacionada ao vírus zika tem se mostrado severa. Especialistas não sabem dimensionar o impacto na evolução dessas crianças

Carolina Cotta
postado em 18/01/2016 10:08
Crianças passam por exames para detectar o problema. Em alguns casos mais graves, os bebês nascem com 26 centímetros de perímetro cefálico

Recife ;
Na sala de triagem, uma mãe leva seu bebê no colo. Está ali pra ser pesado, mas a médica me faz um sinal, sugerindo algo errado. ;Quanto mediu a cabecinha dele, mãe?;, pergunta Ângela Rocha, coordenadora do Departamento de Infectologia Pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz. Aos quatro meses, a cabeça de Mateus tem 38cm de diâmetro, dentro da normalidade para sua idade, mas, ao nascer, media 31 centímetros: um caso suspeito. A mãe parece não saber. Ou não quer entender. A cada pergunta da médica, responde de maneira monossilábica, como se pudesse livrar o filho, e ela mesma, desse destino. ;Ele tem um estrabismo, você reparou?;, insiste a médica, que pede para ver a tomografia do pequeno. O exame não deixa dúvidas: as calcificações e os ventrículos aumentados colocam Mateus entre os casos confirmados.

Diagnósticos são realizados na Fundação Altino Ventura, no Recife

;A alteração é quase imperceptível, não me arriscaria a dizer qualquer coisa sem ver a tomografia. Mas ele me chamou a atenção: tem mais face que cabeça;, comenta a médica, justificando o motivo de ter interrompido a entrevista. Mateus tem uma microcefalia leve e um cérebro mais preservado que os outros observados pela equipe. Talvez tenha uma evolução melhor. Não existe um caso único. Algumas crianças, já no primeiro mês de vida, mostram alguma alteração neurológica. Segundo a neuropediatra Vanessa van der Linden, estão sendo observados, por exemplo, irritabilidade e choro excessivo. Alguns têm os membros inferiores rígidos e artrogripose, alteração ortopédica que pode levar ao pé torto congênito. ;Mas, nesse aspecto, não sabemos se a causa é o problema neurológico ou menos movimento dentro do útero;, pondera.



[SAIBAMAIS]Muitos só apresentarão algum comprometimento depois de dois meses. ;Temos crianças que nasceram com 26 centímetros de perímetro cefálico. Isso é muito expressivo, se considerarmos que o normal é de 35cm a 37cm. Há casos mais leves e casos mais graves. Ainda é muito cedo para saber como essas crianças vão evoluir, mas provavelmente terão comprometimento motor, visual e auditivo. Na neurologia, precisamos ter muito cuidado com o prognóstico;, diz Vanessa, que planeja um estudo para comparar o tamanho da cabeça e as alterações na tomografia com o desenvolvimento. ;O que essas crianças precisam agora é de reabilitação. Não podemos ficar focados na causa, mas sim criar condições para essas famílias conseguirem viver com isso. E precisamos acolher as mães. Elas ficam esperançosas porque na fase inicial o bebê ainda usa pouco o cérebro;, explica.

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