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Careca TV: menina enfrenta câncer e faz vídeo contando a superação

A paulista Lorena Reginato retirou um tumor no cérebro, mas ainda faz tratamentos; atividades esportivas e o canal que criou no Youtube ajudam na autoestima

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Determinada, corajosa e carismática. Foi assim que a farmacêutica Fiorella Reginato, 43 anos, descreveu a filha Lorena, 12 anos, que em março de 2015 foi diagnosticada com um tumor no cérebro. Fiorella conta que no final de 2014 a filha emagreceu e se queixava de fortes dores de cabeça, mas os exames que Lorena fez na época não deram nada além de enxaqueca. "No carnaval de 2015, viajei com as minhas filhas e meu pai. Na viagem, Lorena ainda reclamava das dores de cabeça e náuseas. Ela comentou também que estava com a visão cruzada. Foi quando meu pai, que é neurologista, desconfiou o que poderia ser;, diz Fiorella.

O câncer foi diagnosticado logo depois, após uma ressonância magnética. A menina de Jaú, São Paulo, ficou internada e fez a cirurgia de retirada do tumor em um hospital universitário de Ribeirão Preto (SP) e, em virtude do tratamento e da doença, perdeu os movimentos físicos. "Hoje ela está no quinto ciclo de oito da quimioterapia. Esperamos que até outubro deste ano ela finalize o tratamento", explica Fiorella. Lorena ainda não consegue andar, mas com a ajuda da fisioterapia e da fonoaudiologia, está recuperando os movimentos e a fala.


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Na última segunda-feira (15/3), com a ajuda da irmã, Larissa Reginato, 15 anos, a Lorena decidiu lançar o canal "Careca TV" para contar sua história. O seu primeiro vídeo já tem mais de 2 milhões de visualizações em em menos de uma semana e muitos comentários de apoio à menina. "Lorena está extasiada pela repercussão que seu vídeo teve. Falou até que iria morrer de emoção e eu falei que, se ela está viva depois de tudo isso, não é agora que iria morrer. Ela não está acreditando", brinca a mãe.

Sem medo e vergonha de ser julgada, Lorena tira a touca e mostra para os internautas os poucos fios de cabelo e, de maneira descontraída, fala sobre a recuperação do câncer. "Eu sou careca, olha que careca linda. Eu tive câncer, mas já não tenho mais, tá?", conta agarota. "Está tudo bem já, mas o tratamento ainda está acontecendo e logo, logo termina", acrescenta confiante. A menina se justifica também no vídeo sobre a sua voz fina e a dificuldade de falar. "Eu falo um pouco lento, mas não liguem. As vezes eu dou uma tremidinha, mas não liguem. Eu sou normal", diz sorrindo.

Fiorella conta que Lorena não deixa de fazer nada em sua rotina. Além de voltar a estudar, a menina pratica esportes, faz passeios em família e recebe visitas dos amigos. "A minha filha é muito forte, é uma guerreira. Ela aceita a careca dela e, mesmo que o cabelo volte a nascer, ela disse que terá a alma careca para sempre". Lorena pretende fazer novos vídeos em seu canal do Youtube, mas a mãe afirma que a filha não tem nenhuma pretensão com isso e que não quer que sintam pena dela. "Ela quer fazer os vídeos para contar sua história. Ela sempre sonhou em fazer uma página virtual e agora está realizando."

Convívio com a doença
Em entrevista ao Correio, o médico oncologista Márcio Almeida contou sobre a importância de o paciente praticar algo que o abstraia da doença, como é o caso de Lorena, que está investindo em vídeos. "Fazer o que gosta é uma forma de fugir da doença. Isso melhora a ansiedade, o mal estar, o medo, o desconhecido;, explica. "Aparentemente, Lorena fez um tratamento muito positivo. Ficamos sensibilizados com a história dela e com a jeito leve como ela se posiciona no vídeo", acrescenta.

Márcio diz que a prática de esportes, as saídas e qualquer outra atividade são fundamentais, mas é preciso ter orientação médica para não atrapalhar o desenvolvimento do tratamento. "As atividades melhoram a autoimagem da pessoa. Elas enfrentam de forma mais positiva a situação e faz as pessoas acreditarem que são normais, porque elas realmente são. O cuidado que se deve ter é para que não aconteça nenhum tipo de estresse. Mas é muito importante que a rotina seja preenchida com coisas que contribuem para a autoestima", conclui.