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Prisão de empresário que atropelou e matou agente do Detran é revogada

Filho de magnata do ramo da indústria alimentícia, Rodolpho Carlos Silva, atropelou um agente do Detran durante uma blitz da Lei Seca. Ele teve o pedido de prisão preventiva suspenso por desembargador amigo da família

Denise Rothenburg, Hellen Leite
postado em 22/01/2017 14:35
Rodolpho Carlos atropelou um agente do Detran durante uma blitz da Lei Seca, em João Pessoa

O empresário Rodolpho Carlos Silva dirigia um carro de luxo, marca Porsche, quando passou por uma blitz da Lei Seca, por volta das 2h da manhã de sábado (21/1), em João Pessoa. Ele não apenas descumpriu a ordem de parada dada pelo Departamento Estadual de Trânsito da Paraíba (Detran-PB), como também atropelou o agente Diogo Nascimento de Souza. O funcionário do Detran chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.

Rodolpho fugiu, mas a placa do automóvel (PBX-0909 - Brasília - Distrito Federal) caiu no local e foi recolhida pela equipe. Ele teve prisão preventiva decretada quase que imediatamente pela juíza Andréa Arcoverde, do 1; Juizado Especial Misto. No entanto, menos de doze horas após a decisão, o desembargador Joás de Brito, futuro presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba, mandou soltar o empresário, antes mesmo do mandado de prisão ser cumprido.

Rodolpho Carlos está ligado a um poderoso grupo econômico no Nordeste. Ele é filho do magnata paraibano dono do Grupo São Braz, que é um dos maiores produtores de café torrado do país. E é neto de José Carlos da Silva, ex-vice governador da Paraíba. Além do conglomerado de indústrias alimentícias, a família também é dona de empresas de comunicação locais - incluindo TV afiliada da rede Globo.

Filho de magnata do ramo da indústria alimentícia, Rodolpho Carlos Silva, atropelou um agente do Detran durante uma blitz da Lei Seca. Ele teve o pedido de prisão preventiva suspenso por desembargador amigo da família

Na decisão que pede a prisão temporária de Rodolpho, a magistrada destaca que a detenção é de extrema relevância para elucidação do crime e apuração da participação do suspeito. ;Em verdade, o acusado evadiu-se do local do crime sem prestar socorro à vítima, demonstrando a intenção de furtar-se a sua responsabilidade penal pelos fatos praticados. Além do mais, o acusado, em liberdade, poderá destruir provas, dificultando o esclarecimento do crime;, frisou a juíza.

O empresário ainda está foragido. O delegado Marcos Paulo Vilela informou que a Polícia Civil faz buscas para prender o suspeito. Ele afirmou que denúncias sobre a localização de Rodolpho Carlos podem ser feitas no Disque Denúncia 197.

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