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Correio Braziliense

Ex-presidente da CBF, Marin é condenado em NY e tem prisão decretada

Juíza do caso ainda vai decidir quanto tempo José Maria Marin vai cumprir


postado em 22/12/2017 20:34

Marin (centro) pode ser condenado a cumprir até 10 anos de prisão, indicou juíza(foto: AFP)
Marin (centro) pode ser condenado a cumprir até 10 anos de prisão, indicou juíza (foto: AFP)

 
O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, e o ex-presidente da Conmebol, o paraguaio Juan Angel Napout, foram considerados culpados por associação para delinquir, fraude bancária e lavagem de dinheiro, nesta sexta-feira, durante julgamento do escândalo de corrupção que sacudiu a Fifa.
 
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Após sete semanas no tribunal e seis dias de deliberações, o júri de Nova York não tirou conclusões sobre se o terceiro acusado, o ex-presidente da Federação Peruana, Manuel Burga, é culpado ou não da acusação de associação para delinquir. 

Marin, que comandou o futebol brasileiro entre março de 2012 e maio de 2015, foi declarado culpado em seis dos sete delitos dos quais era acusado, por aceitar subornos em troca de contratos de transmissão e marketing em jogos da Libertadores e da Copa América.

Por outro lado, o júri absolveu o brasileiro da acusação de conspiração de fraude bancária ligada à Copa do Brasil.

Napout, por outro lado, foi declarado culpado em três das cinco acusações: associação para delinquir e duas acusações de fraude bancária relacionadas à Copa América e à Libertadores.

Os três acusados são os únicos de um total de 42 que insistiam em suas inocências, após extradição aos Estados Unidos onde estão em prisão domiciliar.

Segundo a procuradoria, Napout, Marin e Burga entraram em acordo para receberem, respectivamente, 10,5 milhões, 6,55 milhões e 4,4 milhões de dólares em subornos de empresas esportivas, entre 2010 e 2016.


Prisão imediata


Presentes no tribunal, os acusados escutaram o veredito de maneira séria e sem demonstrar reações. Os filhos de Napout e sua esposa, visivelmente nervosos, eram os únicos familiares dos acusados no tribunal.

A juíza Pamela Chen, responsável do caso Fifa, vai decidir a sentença dos condenados. No entanto, a magistrada já adiantou que os culpados serão presos de maneira imediata até a sentença final. 

"Não acho que tenha sentido adiar uma prisão que vai acontecer", disse a juíza, indicando a gravidade dos delitos.

A defesa de Marin pediu recurso por conta da avançada idade de 85 anos e seus problemas de saúde. O brasileiro toma medicamentos para depressão e hipertensão. No entanto, Chen decidiu que a prisão fosse imediata.

"Nós estamos desapontados, claro e vamos continuar a luta pela justiça, apelando até que haja uma decisão final. Estamos insatisfeitos e desapontados", indicou Julio Barbosa, advogado de Marin.

"Os acusados encaram sentenças potencialmente muito significativas", que podem chegar a pelo menos 10 anos segundo as normas federais, indicou Chen.

Meticulosamente e trabalhando juntamente a agentes da receita americana e do FBI, o governo estado-unidense investiga desde 2010 as pistas do dinheiro pago por empresas esportivas à então cúpula da Conmebol e da Concacaf.

O processo em Nova York revelou a vida de reis de ex-comandantes do futebol mundial, que contavam com motoristas, viagens em jatos privados e tratamento presidencial em aeroportos. Os privilégios chegavam até a viagens de cruzeiro com esposas, filhos e netos.

Dos 42 acusados, 24 se declararam culpados e dois já receberam suas sentenças pela juíza. 15 estão em seus países, alguns deles em liberdade, como o suspenso presidente da CBF Marco Polo del Nero e o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Conmebol que tem 89 anos e está hospitalizado em Assunção.

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