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Correio Braziliense

Cármen Lúcia vai a Goiânia nesta segunda para debater crise nos presídios

O governador Marconi Perillo participará, pela manhã, da agenda com a presidente do STF e, posteriormente, organizará um encontro com todos os governadores para discutir soluções conjuntas


postado em 08/01/2018 06:00 / atualizado em 08/01/2018 10:21

(foto: Ed Alves/CB/DA Press)
(foto: Ed Alves/CB/DA Press)
 

A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, amanhece hoje em Goiás para uma reunião com o governador Marconi Perillo (PSDB) sobre a crise que levou a rebeliões e fugas em duas penitenciárias do estado. A ministra, que chegou por volta das 10h desta segunda-feira (8/1), e o governador conversam no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. A expectativa é que ela visite o complexo prisional no começo da tarde, para verificar as condições da unidade prisional. 

 

A ideia da presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é debater com representantes do Judiciário local e do Legislativo os motivos do colapso e a situação de violência em todo o país. O governador participará, pela manhã, da agenda com a presidente do STF e, posteriormente, organizará um encontro com todos os governadores para discutir soluções conjuntas.

 

 

A reunião foi solicitada por Perillo após uma rebelião que deixou nove mortos e mais de 200 foragidos no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na região metropolitana da capital de Goiás. A ministra e o governador conversam no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. 
 
A ministra tomará conhecimento dos resultados da inspeção determinada por ela, na última terça-feira, e realizada pelo Tribunal de Justiça de Goiás na quarta-feira, 3. Uma comissão de vistoria foi ao presídio de Aparecida e encontrou uma série de irregularidades, entre elas, superlotação e falta de infraestrutura. A previsão é de que Cármen, em seguida, visite o Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde ocorreram duas rebeliões de presos no início do ano, com a fuga de mais de 200 e saldo de 9 mortos e 14 feridos. 

Um dos acusados de ter articulado a rebelião do início do ano foi preso, na manhã de ontem, em Cabo Frio (RJ). O diretor-geral de Administração Penitenciária, coronel Edson Costa, aguarda o retorno de Stephan de Souza Vieira ao complexo prisional. Ele fugiu da cadeia em novembro de 2017 e há a possibilidade de que ele seja transferido para uma penitenciária federal de segurança máxima. Mineiro, Stephan é conhecido por BH e carrega na ficha a condenação a 26 anos de cadeia por crimes como homicídio e tráfico de drogas. Ele é apontado como uma liderança do Comando Vermelho em Goiás. A fuga de Stephan aconteceu na transferência dele para a Colônia Agroindustrial do Regime Semiaberto.

A captura de BH foi resultado de uma ação coordenada entre as polícias civis de Goiás e do Rio de Janeiro, segundo a assessoria de Perillo. De volta ao estado, o governador optou por não se manifestar sobre ter sido visto em uma praia pernambucana, no fim de semana, em pleno colapso do sistema prisional goiano. Em Goiânia, o comentário, ontem, era de que Perillo e família tinham programado as miniférias bem antes da crise, a convite do vice-governador e provável candidato a sucessor, José Eliton.

Transferência

Apesar de acusar o criminoso de “alta periculosidade”, o coronel Costa nega que BH seja o líder da rebelião do Complexo de Aparecida de Goiânia. “Ele é um preso importante e, por ser uma liderança negativa de expressão, existe essa suspeição, mas essa questão está em processo de investigação”, disse Costa. BH estava preso em Goiás havia cerca de 11 anos, tendo recebido progressão e cumprimento da pena em regime semiaberto, mas fugiu no dia da transferência, em 6 de novembro de 2017.

No mesmo dia da transferência para o semiaberto, o criminoso teria sido colocado em um galpão, de onde pulou um alambrado e foi “recolhido” por um carro de luxo. A fuga custou o cargo do então diretor do Complexo de Aparecida de Goiânia. O coronel Costa aguarda o retorno do prisioneiro para “fazer o recambiamento” exigido pela Justiça Federal. Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, Stephan foi preso em Cabo Frio graças à ação da Delegacia de Combate às Drogas da capital fluminense. Ele estaria escondido no bairro Vila Nova, em um apartamento de luxo.
 
 

Paparazzi será punido

Um detento filmou o exato momento em que 11 presos forçaram uma grade e fugiram do Centro de Inserção Social de Luziânia (GO) no último sábado. Ele foi identificado e será punido, segundo a Diretoria-geral da Administração Penitenciária goiana. As imagens feitas por telefone celular mostram quando dois internos forçam e entortam parte de uma grade que fecha o corredor de acesso às celas. É nítido que o metal estava previamente serrado. Aberta a passagem, outros presos se agacham, passam pelo buraco e pulam o muro da cadeia. O vídeo circulou ontem nas redes sociais.

Em princípio, 11 presos passam pela fresta, mas, segundo as autoridades da cidade do Entorno do Distrito Federal, um deles se feriu após uma queda no muro, não conseguiu sair e foi capturado. “O preso que estava de posse do aparelho de telefone celular e fez a filmagem já foi identificado e vai responder a sanções na forma da lei”, diz a nota da Administração Penitenciária. “Sobre a fuga, a DGAP informa que as forças policiais estão em busca dos 10 foragidos, e que abriu sindicância para apuração dos fatos. A Polícia Civil também instaurou inquérito policial”, acrescenta o texto.

De acordo com autoridades de segurança pública de Goiás, a fuga teria sido facilitada por um preso do regime semiaberto, responsável pela limpeza do corredor e pela distribuição da comida para os outros internos. Ele teria serrado e estourado os cadeados de uma cela, além de ter danificado a grade de contenção do pavilhão. Nenhum preso havia sido recapturado até a noite de ontem.

Estado de de tensão

Além da tensão em Goiás, a população do Rio Grande do Norte segue apreensiva com os desdobramentos da crise de segurança pública, cuja greve de policiais civis e militares e bombeiros dura quase um mês. No sábado, o governador Robinson Faria decretou estado de calamidade, o que permite que ele possa contratar serviços temporários, de forma urgente, para resolver questões ligadas à segurança.

“Como é que ele vai contratar, se alega não ter dinheiro para pagar as forças de segurança que estão paralisadas, justamente, por falta de salários?”, questiona o coordenador do Observatório da Violência Letal Intencional (Obvio), Ivênio Hermes. No decreto, o governador justifica “o aumento dos índices de violência decorrente da paralisação das atividades policiais”. A medida dá direito a dispor de bens, serviços e servidores da administração em tarefas de segurança pública.

Apesar dos quase 3 mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança nas ruas de Mossoró, Hermes afirma que levantamento do Obvio, ligado à Universidade Federal Rural do Semi-Árido, constatou 13 mortes no último fim de semana “decorrentes da insegurança que se sente em qualquer canto do estado”.

Com informações de Renato Souza

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