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Correio Braziliense

Criança morta após três meses da tragédia em MG será enterrada nesta sexta

Gabriel Carvalho teve 80% do corpo queimado no incêndio na Creche Gente Inocente, provocado por um vigia que também morreu. Número de óbitos chega a 14


postado em 12/01/2018 08:08 / atualizado em 12/01/2018 12:44

Gabriel Carvalho estava internado no Hospital João XXIII e foi a 10ª criança a morrer em decorrência do incêndio criminoso na Gente Inocente(foto: Álbum de família/Divulgação)
Gabriel Carvalho estava internado no Hospital João XXIII e foi a 10ª criança a morrer em decorrência do incêndio criminoso na Gente Inocente (foto: Álbum de família/Divulgação)
 
Amentou para 14 o número de mortos em decorrência da tragédia na Creche Inocente, em Janaúba, Norte de Minas, ocorrida na manhã de 5 de outubro, quando o vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos, ateou fogo no centro de ensino infantil. Será sepultado nesta sexta-feira, em Janaúba, o corpo do menino Gabriel Carvalho de Oliveira, de 5, que morreu no início da tarde de ontem no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, onde estava internado desde o incêndio. Ele foi a décima criança a morrer em consequência da tragédia.
 

O incêndio criminoso também provocou as mortes do autor do ataque e das auxiliares de professora Jéssica Morgana Silva Santos, de 23, e Geni Oliveira Lopes Martins, de 63, além da professora Heley Abreu Batista, de 43, que perdeu a vida tentando salvar seus alunos. Helley enfrentou Damião, que usou gasolina para atear fogo na creche – o vigia sofria de transtornos psiquiátricos, segundo laudo médico.

Geni e Jéssica Morgana chegaram a permanecer internadas em estado grave, mas não resistiram. Mais de 40 pessoas ficaram feridas no episódio, que causou comoção no Brasil e no mundo, chamando atenção até do papa Francisco.

Gabriel Carvalho de Oliveira teve 80% do corpo queimado. Ontem à tarde, o corpo seguiu para o Instituto Médico-Legal (IML) de Belo Horizonte, para ser translado para Janaúba, onde a chegada estava prevista para a madrugada desta sexta. Conforme a Prefeitura de Janaúba, que arcou com as despesas do transporte e funeral, o corpo será velado no salão de uma funerária da cidade e o sepultamento deverá acontecer no fim da tarde, no Cemitério São Lucas, onde também foram sepultados os corpos das outras nove crianças, da professora Helley, das duas servidoras e do autor do ataque.

Ver galeria . 7 Fotos Luiz Carlos Batista, marido da professora Heley Abreu, identifica o túmulo com foto da mulherLuiz Ribeiro/EM/D.A. Press
Luiz Carlos Batista, marido da professora Heley Abreu, identifica o túmulo com foto da mulher (foto: Luiz Ribeiro/EM/D.A. Press )


Passados mais de três meses da tragédia, uma vítima do incêndio na creche ainda continua internada no Hospital João XXIII. É Marley Simone, professora do centro de ensino infantil. O estado de saúde dela é estável, segundo boletim divulgado pela unidade de saúde. Uma outra criança, do sexo feminino, que recebia atendimento no local, recebeu alta no início de dezembro.

Na Santa Casa de Montes Claros, no Norte de Minas, as duas últimas crianças que estavam internadas na unidade deixaram o hospital em 11 de dezembro. As vítimas têm 4 e 5 anos e sofreram queimaduras de segundo e terceiro graus pelo corpo. Elas ficaram internadas por aproximadamente dois meses.

Indenizações

No início de dezembro, a Prefeitura de Janaúba assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Publico de Minas Gerais (MPMG) para o pagamento de indenizações às vítimas ao incêndio criminoso na Creche Gente Inocente. Conforme o termo, o Município vai pagar R$ 12 mil, divididos em 12 parcelas, ao longo de janeiro a dezembro deste ano para cada família das crianças e das servidoras mortas na tragédia. As vítimas que sofreram queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus e que tiveram “incapacidade laboral por mais 30 dias ou “outra forma de lesão corporal de natureza grave ou gravíssima” também vão receber o montante.

Ainda conforme o documento, serão pagos R$ 6 mil, também divididos em 12 parcelas, ao longo de 2018,para as demais vítimas que tiveram algum ferimento na tragédia. Os pagamentos serão feitos sempre no último dia útil de cada mês. Desta forma, a primeira parcela será paga no fim deste mês.

Desde 18 de outubro, os alunos da unidade que sobreviveram ao ataque passaram a serem atendidos em uma creche improvisada em um prédio da Secretaria Municipal de Saude de Janaúba. O prédio incendiado foi demolido e começou a ser construído no local uma outra creche, obra doada por um grupo de empresários, com previsão de ser concluída na segunda quinzena de fevereiro, no início do ano letivo.

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