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Correio Braziliense

PF investiga esquema bilionário de exploração de madeira na Amazônia

Até esta quinta-feira, a PF havia retido 44 containeres. Foram descobertas inúmeras fraudes em documentos que deveriam atestar a legalidade da extração e da origem da madeira


postado em 18/01/2018 08:37 / atualizado em 18/01/2018 10:13

Polícia Federal identificou fraude em documentos: extração ilegal(foto: Jos Barlow/Divulgação - 29/6/16)
Polícia Federal identificou fraude em documentos: extração ilegal (foto: Jos Barlow/Divulgação - 29/6/16)

 

Um percurso de 1,5 mil quilômetros - o que equivaleria à distância entre Brasília e Belém aproximadamente - poderia ser coberto com a quantidade de madeira apreendida pela Polícia Federal (PF) durante uma operação na Amazônia. A ação, intitulada Arquimedes, tenta interromper o fluxo do transporte clandestino do produto extraído ilegalmente da floresta. Segundo a PF, o destino seria para grandes comerciantes madereiros no Brasil, na Europa e Estados Unidos. Os trabalhos já se estendem por mais de trinta dias.

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A buscas, que contaram com o apoio do  Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Ministério Público Federal (MPF), foram iniciadas após um alerta da Receita Federal. Com autorização da Justiça, 444 contêineres foram retidos e, até agora, 20% foram periciados. É uma das maiores apreensões mundiais de madeira beneficiada realizada em portos, segundo a PF.

 

Foram identificadas fraudes nos Documentos de Origem Florestal (DOFs), que deveriam atestar a legalidade da extração e da origem da madeira. "Dentre as irregularidades, foram encontrados DOFs cancelados ou falsificados, bem como diferenças substanciais entre o atestado nos documentos e o conteúdo dos containers, entre elas volumetria e descrição das espécies exploradas", afirmou a PF em nota. 

 

Exploração em Roraima, Rondônia e Amazonas

 

Dois portos, responsáveis pelo escoamento de quase toda a produção de madeira extraída na Amazônia Legal, são alvo da PF. De acordo com a investigação, o material retido por ilegalidade documental eram originário de exploração nos estados de Roraima, Rondônia e Amazonas. Em torno de 50% da madeira teria como destino a Europa e os Estados Unidos. 

 

A operação busca agora identificar pessoas físicas e jurídicas envolvidas na extração ilegal, no transporte e na comercialização  da madeira. Os envolvidos devem responder pelos crimes contra a flora, previstos na Lei de Crimes Ambientais, e receptação, previsto no Código Penal. Pode haver, inclusive, a responsabilização penal da pessoa jurídica conforme disposto na legislação ambiental.

 

Técnica de Arquimedes

O nome da operação tem origem na cultura grega que relata a técnica utilizada por um filósofo para encontrar volumes de materiais a partir da imersão em um recipiente com água. Técnica que inspirou os peritos da Polícia Federal para realizar a medição do volume do material apreendido.

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