Publicidade

Correio Braziliense

Rio e São Paulo registram filas para vacina contra febre amarela

Aumenta a procura pela vacina da febre amarela durante o fim de semana. Dose fracionada começará a ser aplicada na quinta-feira


postado em 22/01/2018 06:00

A dose normal da vacina tem 0,5ml: a fracionada contará com 0,1ml e garante imunização por oito anos(foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 17/1/18 )
A dose normal da vacina tem 0,5ml: a fracionada contará com 0,1ml e garante imunização por oito anos (foto: Ed Alves/CB/D.A Press - 17/1/18 )


A procura pelas vacinas contra a febre amarela provocou longas filas em postos de saúde do Rio de Janeiro e São Paulo durante o fim de semana. Na capital paulista, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, houve falta pontual das doses e insumos, como agulhas em alguns postos. Unidades que antes aplicavam 500 doses por mês agora vacinam mil pessoas por dia.

Devido ao surto de febre amarela, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, se viu obrigado a desistir de viajar a Davos, na Suíça, para acompanhar o presidente Michel Temer no Fórum Econômico Mundial. Ele acompanhará a campanha de vacinação fracionada que estava marcada para 3 de fevereiro e acabou antecipada para quinta-feira em São Paulo e no Rio de Janeiro.

No estado de São Paulo, 54 municípios e regiões fora da área de risco receberão as doses fracionadas. Além disso, o estado reservará os dias 3 e 17 de fevereiro para abrir postos de saúde em regime especial. Já no Rio de Janeiro, 15 cidades terão uma grande mobilização no próximo sábado. Serão os “dias D” da campanha.

Ainda em São Paulo, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, faltas pontuais podem ocorrer devido à alta demanda, porém as unidades são reabastecidas diariamente. A pasta reforça que, onde a presença do vírus não foi confirmada, a recomendação é esperar a campanha de vacinação fracionada. Uma dose padrão, que tem duração garantida para o resto da vida, tem, 5 mililitros (ml). Já a fracionada conta com 0,1ml, com duração de oito anos. Esse volume menor por injeção possibilita que mais gente se imunize sem acabar com os estoques. No entanto, a fracionada não é suficiente para quem precisa do certificado internacional de vacinação para viajar ao exterior.

Particular

Após o alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) que incluiu todo o estado de São Paulo como área de risco para a doença, com registro de 81 casos da doença e 36 mortes, também houve corrida às clínicas particulares, que têm fila de espera.

Em Minas Gerais, foram confirmados 23 casos e 19 mortes. Outros 46 casos estão em investigação. Os moradores de Belo Horizonte também enfrentaram longas filas. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a procura pela vacina foi grande em todas as 152 unidades do Sistema Único de Saúde (SUS). O balanço do número de doses aplicadas está previsto para hoje. Ainda de acordo com a pasta, a taxa de imunização pulou de 83% para 86%. A meta é chegar a 95%. Cerca de 39 mil pessoas já foram vacinadas em 2018.

Em Nova Lima, região que concentra o maior número de casos no estado, com seis mortes, foi realizada uma blitz educativa com a distribuição de panfletos com informações sobre a doença. A prefeitura orientou a população, ao longo da semana, a deixar na porta de casa pneus velhos, sucatas, garrafas e materiais em desuso. O volume arrecadado será encaminhado ao aterro sanitário, onde haverá a separação do que puder ser reciclado. Um caminhão percorreu as ruas da cidade para a pulverização do fumacê (inseticida).

Para o infectologista Werciley Saraiva Vieira Júnior, a corrida aos postos demonstra a dificuldade do governo em repensar a saúde a longo prazo. “Um bom planejamento poderia ter diminuído a proporção da doença. Após o começo do surto no ano passado, as vacinas deveriam ter sido continuadas. Em São Paulo e Rio, que não eram consideradas áreas endêmicas, a taxa de vacinação era de 30 a 40% de vacinação. Foi o que gerou a procura em massa pela vacina. Faltou planejamento.”

“Um bom planejamento poderia ter diminuído a proporção da doença. Após o começo do surto no ano passado, as vacinas deveriam ter sido continuadas” 
Werciley Saraiva Vieira Júnior, infectologista


Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade