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Correio Braziliense

Seita religiosa é investigada pela Polícia Federal por crimes em 3 estados

A Polícia Federal apura se seita reduzia fiéis à condições análogas à de escravos, além de suspeitas de tráfico de pessoas, estelionato e outros crimes. Devotos tinham de dar todos os bens e trabalhar pela 'comunidade'


postado em 06/02/2018 09:37

(foto: Agência Brasil)
(foto: Agência Brasil)

Uma seita religiosa é alvo da Polícia Federal (PF) em uma investigação que apura crimes como a redução de pessoas à condição análoga à de escravo, tráfico de pessoas, estelionato, organização criminosa, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. A Operação Canaã - A colheita final, ocorre em três estados: Minas Gerais, São Paulo e Bahia. São 220 policiais federais e 55 auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nas ruas, nesta terça-feira (6/2), para cumprir 22 mandados de prisão preventiva, 17 de interdição de estabelecimento comercial e 42 de busca e apreensão expedidos pela 4ª. Vara Federal em Belo Horizonte (MG). 

A ação mira a seita religiosa "Traduzindo o Verbo – A verdade que Marca". De acordo com a PF e com o Grupo Especial de Fiscalização Móvel do MTE, dirigentes do grupo usavam 
artifícios e doutrina psicológicos, sob o argumento de 'convivência em comunidades'. A regra imposta às pessoas aliciadas era a de que todos os bens móveis e imóveis deveriam ser compartilhados. Na sede, localizada na capital paulista, as pessoas eram convencidas a doarem todos os bens para as associações controladas pela organização criminosa. 

Segundo a Operação Canaã - uma referência bíblica à terra prometida por Deus a seus fiéis - os novos 'doutrinados' eram levados para zonas rurais e urbanas. Em Minas Gerais, os destinos eram as cidades de Contagem, Betim, Andrelândia, Minduri, Madre de Deus, São Vicente de Minas, Pouso Alegre e Poços de Caldas. Na Bahia, os fiéis eram levados para Ibotirama, Luiz Eduardo Magalhães, Wanderley e Barra. Na capital São Paulo, os devotos eram submetidos a extensas jornadas de trabalho, sem nenhuma remuneração, trabalhando em lavouras e estabelecimentos comerciais dos mais variados, como oficinas mecânicas, postos de gasolina, pastelarias, confecções, etc. 

Com a apropriação do patrimônio dos fiés e do desempenho de atividades comerciais sem o pagamento da mão-de-obra, a seita acumulou vultoso patrimônio, como casas, fazendas, veículos de luxo. "Atualmente expande os empreendimentos, baseados na exploração ilegal, para o estado de Tocantins", afirmou a PF em nota. 

Três fases de investigação
A investigação, segundo a PF, foi iniciada em 2011, quando a seita estava migrando de São Paulo para Minas Gerais. Em 2013 foi desencadeada a "Operação Canaã" quando foram realizadas inspeções nas propriedades rurais e em algumas das empresas urbanas. Em 2015 foi deflagrada a segunda fase, "De volta para Canaã" quando foram presos temporariamente cinco dos líderes. Nesta terceira fase, a operação mira 22 líderes da seita, investigados pelos crimes dos artigos 149, 149-A, 171 e 299 do Código Penal, art. 1º da Lei 9.613/98 e art. 2º, § 2º e § 4º, inciso I, da Lei 12.850/2013, cuajs penas somadas podem chegar a 42 anos de prisão.

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