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Correio Braziliense

Desativação do Palácio Tiradentes, em BH, deve economizar R$ 5 mi ao ano

Sem recursos para manutenção, Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte, ficará de portas fechadas. Edifício faz parte da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, complexo que abriga mais de 50 órgãos do governo mineiro e está na mira da Lava-Jato


postado em 02/04/2018 06:00

O prédio é considerado o maior vão livre do mundo, com 147 metros de comprimento por 26 metros de largura e capaz de suportar 34 mil toneladas(foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
O prédio é considerado o maior vão livre do mundo, com 147 metros de comprimento por 26 metros de largura e capaz de suportar 34 mil toneladas (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)


“Esse prédio tem de traduzir a majestade do estado de Minas Gerais, não menos do que isso.” A frase é do arquiteto Oscar Niemeyer e se refere à construção do Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte, em 2003. O prédio faz parte da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, complexo que abriga a sede do governo mineiro. A construção é investigada pela operação Lava-Jato. Agora, o edifício será desocupado. A decisão do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, é ancorada na crise financeira que o estado enfrenta. A intenção é economizar R$ 5 milhões anuais gastos em manutenção.

A desativação do prédio desenhado por Niemeyer, sede do governo de Minas há oito anos, foi anunciada em fevereiro. O governo foi bastante criticado pela medida, mas não recuou. O prédio ficará de portas trancadas, sem nenhum uso ou destinação. Em nota, o governo informou que os servidores do Palácio Tiradentes serão transferidos para os outros prédios do complexo, o Minas e o Gerais e ocuparão 1,4 mil estações de trabalho que estão vagas.

Duas secretarias já deixaram o espaço. A Casa Civil iniciou o processo de mudança ontem. Ainda faltam ser transferidos a Secretaria Geral do Estado e o gabinete do vice-governador. Fernando Pimentel já não despacha mais no prédio. O complexo foi inaugurado em março de 2010. Ao todo, custou R$ 1,7 bilhão, custeado integralmente pela empresa pública Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig). O imóvel é uma das últimas obras do arquiteto Oscar Niemeyer, morto em dezembro de 2012.

O prédio é considerado o maior vão livre do mundo, com 147 metros de comprimento por 26 metros de largura e capaz de suportar 34 mil toneladas. Para ter uma ideia, o prédio do Museu de Arte de São Paulo (Masp), considerado uma das obras que mais desafiam a engenharia, tem 74 metros de comprimento em vão livre. A laje que aguenta o peso do concreto armado do palácio é distribuída, depois, para quatro pilares. O palácio é totalmente sustentado por um conjunto de 36 cabos de aço.

A estrutura conta com quatro andares, subsolo e pilotis, totalizando 21 mil metros quadrados de área construída. Em seu interior, conta com um salão de 1.200 metros quadrados de área destinada a solenidades oficiais, biblioteca e serviços de apoio. No início de fevereiro, quando o secretário de Planejamento e Gestão, Helvécio Magalhães, anunciou que o Palácio Tiradentes seria desativado, ele chegou a chamar o prédio de inútil. “O prédio é tão inútil que não tem nem mercado para ele. O melhor é ficar fechado para economizar em manutenção”, afirmou o secretário. Magalhães disse também que o governo não conseguiu sequer proposta para alugar o imóvel.

Projeto para ocupação


Para evitar a depreciação do imóvel, o deputado Alencar da Silveira Jr. (PDT) apresentou um projeto de lei na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para que o edifício seja transformado na sede das faculdades da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg). Atualmente, a instituição paga aluguel de dois imóveis em Belo Horizonte. O projeto ainda não passou por votação.

O centro administrativo é constituído pelo Palácio Tiradentes, pelos edifícios Minas e Gerais, centro de convivência, Auditório Juscelino Kubitschek e instalações de apoio em uma área de 804 mil metros quadrados. Lá funcionam mais de 50 órgãos e autarquias do governo de Minas Gerais. Niemeyer traz no desenho do Palácio Tiradentes referências de outros projetos, como os edifícios da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Museu Nacional, ambos em Brasília.

A obra de Oscar Niemeyer é reconhecida mundialmente. Ele é considerado um dos melhores arquitetos brasileiros de todos os tempos. Somente em Brasília, ele projetou mais de 50 prédios e monumentos. Há ainda projetos espalhados por São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Pará, Paraíba, entre outros estados. No exterior, Estados Unidos, Líbano, Israel, França, Itália, Argélia, Portugal e Inglaterra são alguns dos países com prédios arquitetados por Niemeyer.

Pagamento de propina


Delatores da Odebrecht afirmaram, em abril de 2017, à Procuradoria-Geral da República (PGR) que, por determinação do senador Aécio Neves (PSDB), então governador de Minas Gerais, a empresa pagou propina de R$ 5,2 milhões na construção da Cidade Administrativa — sede do governo do Estado, erguida na gestão do tucano. O ex-diretor de Infraestrutura da empreiteira, Benedicto Júnior, contou que, numa reunião no início de 2007, no Palácio das Mangabeiras, Aécio o comunicou que havia decidido pela participação da Odebrecht na obra, antes mesmo de a licitação ocorrer. Nesse encontro, o tucano teria indicado Oswaldo Borges, seu contraparente e então presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig), para “acertar tudo a respeito”.  Aécio nega as acusações.

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