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Correio Braziliense

Crime além de fronteiras ameaça Mercosul e preocupa governo

Para o advogado argentino Juan Félix Marteau, um dos problemas no combate aos crimes transnacionais é que os países do Mercosul não conseguem atuar nessa área com eficiência


postado em 16/04/2018 15:34

Foz do Iguaçu - O avanço do crime organizado está se transformando em uma problema global. Uma das maiores ameaças vem da atuação para além das fronteiras por parte de facções criminosas, como o PCC, no caso do Brasil, que vem expandindo as atividades para o Paraguai. Isso aumenta os riscos para todo o Mercosul e preocupa cada vez mais governos, empresas e especialistas em segurança.

“Muitos, incluindo eu, acreditavam que depois da Guerra Fria haveria um clima de paz mundial, e que poderíamos, então, destinar mais recursos para educação e o bem-estar das pessoas. Não é o que vemos nos dias de hoje, com vários focos de problemas na área de segurança em vários países”, afirmou Douglas Farah, presidente da consultoria norte-americana IBI.

Ele afirma que a interação entre facções criminosas de países diferentes é um problema crescente. No caso do Brasil, o PCC é a organização com maior atuação internacional. Farah participa hoje do Encontro Nacional de Editores, Colunistas e Blogueiros (Enecob), que ocorre em Foz do Iguaçu (PR).

“O espaço de fronteira está sendo ocupado pelo crime organizado. O PCC controla tráfico cigarros, algo que lhes dá grande liquidez, ainda que também façam contrabando de armas e drogas”, afirmou Edson Vismona, presidente do Instituto Etco, entidade empresarial que atua no combate à sonegação e ao comércio ilegal.

Para o advogado argentino Juan Félix Marteau, um dos problemas no combate aos crimes transnacionais é que os países do Mercosul não conseguem atuar nessa área com eficiência. “Todos aderem a normas internacionais, mas têm dificuldades para que elas se traduzam em resultados concretos”, afirmou Marteau, que já atuou nessa área no governo do país.

Um passo indispensável nessa direção é aprimorar normas legais dos países, alertou Ricardo Liáo, secretário-executivo do Conselho de Controle das Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda. Ele defende que o Legislativo brasileiro aprove um projeto de lei para permitir o bloqueio administrativo por parte do Banco Central de recursos suspeitos de ligação com o crime. Hoje, só por determinação legal se podem congelar recursos em uma conta no sistema financeiro.

Na avaliação do cientista político chileno Guillermo Holzmann, os custos de combate ao crime organizado serão cada vez maiores. “É importante notar que os grupos que faz isso têm uma estrutura complexa, semelhante à das grandes empresas, com gerências para cada área”. Mudar a situação, ele disse, passa por ênfase social na atuação dos governos.

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