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Prédio desaba após incêndio no centro de SP e um morre; há desaparecidos

Prédio de 22 andares no Largo do Paissandu, no centro da capital paulista, pegou fogo e desabou; uma pessoa morreu, segundo o Corpo de Bombeiros

Agência Estado
postado em 01/05/2018 08:24
Prédio pega fogo em São Paulo

Uma pessoa morreu e ao menos outras duas estão desaparecidas no incêndio de grandes proporções seguido de desabamento de um prédio de 22 andares no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo, na madrugada desta terça-feira (1;/5). Um edifício vizinho também pegou fogo nos três primeiros andares, mas não corre risco de colapso. A Igreja Evangélica Luterana, que fica ao lado do prédio em chamas, também pegou fogo e parte da estrutura desabou. Os bombeiros ainda buscam por vítimas sob os escombros no início desta manhã.

Em entrevista à Rádio Eldorado, o porta-voz do Corpo de Bombeiros, Marcos Palumbo, confirmou que uma pessoa morreu durante o desabamento do prédio em chamas. A vítima que morreu estava sendo resgatada por corda pelos militares quando a estrutura do prédio desabou. Os militares abriram um acesso pelo edifício vizinho e a vítima já estava pronta para sair quando toda a estrutura colapsou. A corda que prendia a vítima se rompeu e ela caiu. Um bombeiro também ficou ferido durante o desabamento, mas passa bem.

Palumbo reforçou que o trabalho sob os escombros do prédio de mais de 20 andares será minucioso. Apesar da dificuldade, o Corpo de Bombeiros espera encontrar sobreviventes.

Durante a entrevista, o porta-voz do Corpo de Bombeiros ressaltou que o prédio já havia passado por vistoria, na qual foram relatadas as péssimas condições do local às autoridades do município. Em um segundo momento, o objetivo é apurar quais autoridades receberam as informações sobre as condições do prédio. De acordo com a corporação, os compartimentos entre os andares eram divididos por madeira, o que ajudou a propagar as chamas.

O Corpo de Bombeiros afirmou ainda que era muito difícil entrar no local para verificar as condições do edifício, em razão da resistência dos ocupantes.

O governador de São Paulo, Márcio França, também esteve no local para acompanhar o trabalho de resgate.

Ocupação ilegal

O prédio que desabou tinha mais de 20 andares e era uma antiga instalação da Polícia Federal. Segundo comerciantes do entorno, o local era ocupado ilegalmente. Antes de ruir, algumas pessoas pediam socorro no último andar. As chamas começaram no quinto andar, alastrando-se rapidamente para os níveis superiores. Ao todo, 160 militares atuam no combate ao incêndio e no resgate das vítimas.

A Defesa Civil Estadual está no local e realiza cadastramento de todas as famílias que poderiam estar no prédio no momento do incêndio.

Um edifício vizinho também foi atingido e as chamas se espalharam por três andares. Ele foi esvaziado e interditado. Segundo o Corpo de Bombeiros, o risco de colapso é mínimo e não há vítimas deste incêndio.

A Polícia Militar e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) foram acionadas e auxiliam os trabalhos na região. Ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) estão de prontidão para atender as vítimas.

Comerciantes da região relatam correria nas ruas, com clientes deixando hotéis vizinhos às pressas. As testemunhas dizem que quebraram vidraças, espalhando-se rapidamente pelos andares e atingindo os prédios vizinhos.

"Eu estava em horário de serviço e escutei várias pessoas gritando, barulho de vidros caindo. Quando fui ver o que era, as ruas, que estavam desertas, ficaram cheias de pessoas desesperadas", disse o recepcionista Flávio Gabia, que trabalha em um hotel no Largo do Paissandu. Segundo ele, vários clientes deixaram o estabelecimento quando viram o incêndio. Um hotel ao lado dos edifícios em chamas também foi esvaziado e interditado

Devido ao combate às chamas, a CET interditou o trecho entre a Avenida Rio Branco e a Rua Antônio de Godói e recomenda aos motoristas que evitem passar pela região do Largo do Paisandu. Três quarteirões estão fechados. Um vídeo mostra o momento em que as chamas atingem o edifício, que desaba logo em seguida.

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Vistoria

O capitão Marcos Palumbo afirmou que o Corpo de Bombeiros havia feito uma vistoria no prédio de 24 andares, no Largo do Paissandu, no centro de SP, que desabou durante um incêndio de grandes proporções na madrugada desta terça-feira, 1;. "Foi uma vistoria contra incêndio. Localizamos os responsáveis, fizemos um acervo fotográfico em 2015. Isso foi encaminhado para as autoridades, como o Ministério Público. Foi apontado risco de incêndio. A gente não se importa se é local invadido. O Corpo de Bombeiros tem essa preocupação para agir preventivamente", disse Palumbo.

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), voltou ao local do incêndio. Ele disse que equipes da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social estão atendendo as famílias que ficaram desabrigadas. Até perto do meio-dia, 92 das 150 famílias receberam assistência. Ele informou que a Prefeitura está com uma parceria com a Cruz Vermelha Internacional para receber donativos.

Sobre a precariedade do prédio que desabou, Covas disse que só neste ano foram feitas seis reuniões com famílias que viviam no local.

"Apurar vamos apurar as responsabilidades para que esses eventos não voltem a ocorrer na cidade de São Paulo", ressaltou.


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