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Correio Braziliense

Em 2018, programa do Inpe já registrou 216.488 focos de incêndio no Brasil

Desde o início do ano, programa do Inpe que monitora incêndios registrou 216.488 focos no Brasil. O tempo seco aumenta o risco, principalmente na área central do país. Roraima, Mato Grosso e Tocantins respondem por 55% dos pontos com chamas


postado em 27/06/2018 06:00

A estiagem, que em 2018 começou antes da chegada do inverno, contribui para o aumento nas queimadas(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
A estiagem, que em 2018 começou antes da chegada do inverno, contribui para o aumento nas queimadas (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Com o tempo seco, as queimadas se alastram por reservas florestais e lavouras país afora. Desde o início do ano, o banco de dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), registrou 216.488 focos de fogo. O índice é 52% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, quando ocorreram 141.726 incêndios. Nos últimos três dias, foram notificados 6,5 mil pontos com chamas. As labaredas atingem sobretudo Roraima, Mato Grosso e Tocantins. Juntos esses estados somam quase 55% de todos os incêndios no Brasil.

A estiagem, que em 2018 começou antes da chegada do inverno, contribui para o aumento nas queimadas, segundo especialistas. O clima, alerta o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), deve continuar seco nos próximos dias. São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins estão em alerta para a baixa umidade relativa do ar, que deve variar entre 30% e 20%. O boletim destaca o risco potencial dos índice.

A meteorologista do Inmet Naiane Araújo ressalta que a temporada seca ainda está no início. Dessa forma, os fatores que propiciam queimas (baixa umidade do ar, falta de chuvas e ventos fortes) devem se acentuar nas próximas semanas. “Em todo a área central do país está com uma massa de ar seco predominando. Isso impede a formação de nuvens de chuva. Com o solo seco, a vegetação começa a secar também e isso aumenta o risco de queimadas”, conclui.

Fernando Tatagiba, chefe do Parque Nacional Chapada dos Veadeiros, distante 230km de Brasília, está monitorando a situação. A equipe de brigada tem 36 profissionais e 100 voluntários. “Estamos nos preparando para o período mais crítico. Quanto mais avança a seca, maior o alerta”, explica. No ano passado, um incêndio obrigou o fechamento da reserva em outubro. “Muitas vezes o incêndio começa de maneira acidental, com uma fogueira no fundo do quintal ou uma queima controlada para preparo da pastagem”, acrescenta. Goiás tem, desde o início do ano, 6.984 focos e o DF, 97.

No Triângulo Mineiro, pelo menos três incêndios atingiram diferentes pontos da mata às margens da BR-365 — ligação entre as regiões Nordeste e Centro-Oeste. O Corpo de Bombeiros levou mais de seis horas para controlar as chamas que destruíram lavouras de cana-de-açúcar, vegetação de cerrado e áreas de preservação permanente (APPs). A área atingida ainda está sendo levantada pela Polícia Militar de Meio Ambiente.

Em Mato Grosso, a situação degringolou de tal forma que o governo colocou o estado em alerta. Lá, autoridades ambientais estão em campanha de prevenção de focos até 2 de julho. O Corpo de Bombeiros mobilizou 19 bases operacionais para o combate. Entre as medidas estão palestras nas escolas e ações para conscientização da população. De janeiro até ontem, o estado registrou 41,6 mil focos de incêndio, segundo dados do Inpe.

Desde o fim de semana, pelo menos 38 municípios do estado de São Paulo registram incêndios em áreas rurais. Segundo relatório da Comissão Municipal de Defesa Civil (Comdec), foram consumidos 120 hectares de cana e 24 de vegetação nativa. A área total é equivalente a 180 campos de futebol. Animais silvestres, como tamanduás, quatis e tatus, morreram durante o incêndio.

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