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Correio Braziliense

Mais de 1 milhão de pessoas tiveram hepatite C no Brasil em 2017

Ministério apresenta plano para erradicar a doença até 2030, que prevê a ampliação da testagem em grupos considerados prioritários. Tipo mais grave é o com maior incidência no país. Meta é atender 50 mil pacientes por ano a partir de 2019


postado em 06/07/2018 06:00 / atualizado em 06/07/2018 00:49

Vacinação contra os tipos A e B da doença é necessária para o tratamento da hepatite C, que causa lesões ao fígado(foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )
Vacinação contra os tipos A e B da doença é necessária para o tratamento da hepatite C, que causa lesões ao fígado (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )


Em 2017, mais de 1 milhão de pessoas tiveram hepatite C no país — 11,9 casos para cada 100 mil habitantes. Foram notificados 24,4 mil novos infectados, número inferior aos 28,4 mil do ano anterior. Esse tipo de doença é a mais grave, pois causa lesão no fígado, e a com maior incidência no país. Diante dos números, o Ministério da Saúde anunciou ontem projeto para erradicar a doença até 2030. O plano prevê a redução das etapas para diagnóstico e a ampliação da testagem em grupos considerados prioritários, como pessoas vivendo com HIV/Aids, pacientes que fazem diálise, usuários de drogas e bebês de mães que têm hepatite C.

A previsão é atender 50 mil pacientes por ano, entre 2019 e 2024, o que significa o adiamento da meta estipulada para começar neste ano. Até dezembro devem ser entregues tratamentos para 19 mil pacientes. A diretora do Departamento de IST, HIV/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, atribui a mudança do cronograma ao atraso na publicação de um documento que seria indispensável para o início do processo de compras, o Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas. O manual, com indicações de como deve ser feito o tratamento, foi lançado em março.

“Todos os diagnosticados com a hepatite C têm acesso a tratamento. Precisamos chamar a atenção de que é necessário fazer o teste. É uma doença silenciosa, não apresenta sintomas e a pessoa pode não saber que está infectada. É a que tem maior taxa de mortalidade. As crianças precisam ser vacinadas contra hepatite A e B — não existe vacina contra a C.”, alerta. Segundo ela, o tratamento disponível no SUS e a prevenção possibilitam mais de 90% de chances de cura.

Adele explica que a testagem é feita no SUS para os tipos B e C. “O maior desafio é encontrar essas pessoas que estão infectadas. Por isso, simplificamos o diagnóstico, investimos no teste rápido com foco na população-alvo.” O secretário de Vigilância em Saúde, Osnei Okumoto, ressalta que é importante o acesso à informação. “É necessário que procure o centro de saúde para a testagem rápida e lembre do preservativo, não há vacina para o tipo C e tanto este, como os outros tipos, são transmitidos sexualmente. É uma doença agressiva que pode levar à morte” ressalta.

Para a infectologista Joana D’Arc Gonçalves da Silva, a meta não é realista, por conta da dificuldade de testagem. “Alguns Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) foram fechados aqui no DF e isso dificulta a detecção da doença. Na realidade, ainda há uma série de dificuldades, passando pelos testes e pelo diagnóstico. Tem muita gente que não sabe que tem hepatite. A medicação também é cara e há uma certa burocracia para pegar o remédio na rede pública”, afirma.

A vacina contra o tipo A está disponível no SUS para crianças de 1 ano e 3 meses a 5 anos. Para o tipo B, a imunização é feita em quatro doses: ao nascer, com 2, 4 e 6 meses. Para os adultos que não se vacinaram na infância, são três doses de hepatite B e as duas de hepatite A para que a vacinação possa ser considerada completa. No ano passado, houve 6,5 casos por 100 mil habitantes de hepatite B e um caso por 100 mil do tipo A.

A enfermidade é transmitida por sangue contaminado, sexo desprotegido e compartilhamento de agulhas ou instrumentos cortantes e é prevalente em adultos com mais de 40 anos. A região Sul foi a que apresentou maior taxa de infecção do tipo B, seguida pelo Sudeste, Norte, Centro-Oeste e Nordeste. Entre as cidades, Porto Alegre aparece em primeiro, seguida de São Paulo e Florianópolis. A menor taxa desse tipo foi registrada em Brasília, com 4,2 casos para cada 100 mil habitantes.

A hepatite A é transmitidos pela água e alimentos contaminados, a incidência se concentra nas regiões Nordeste e Norte, com 56,2% de todos os casos confirmados. No entanto, foi no Sudeste, onde a doença mais do que dobrou entre homens de 20 a 39 anos. Em São Paulo, o número pulou de 155 casos em 2016 para 1.108 no ano passado, sendo que 701 ocorreram na capital.

Bebê morre de sarampo em Manaus

Um bebê de sete meses foi a primeira vítima do sarampo em Manaus. O diagnóstico foi confirmado pela prefeitura, depois do resultado da sorologia. Segundo o histórico médico, a criança não havia sido vacinada. O bebê apresentou os primeiros sintomas em 23 de junho e foi internado, após o agravamento do quadro, e morreu três dias depois. Outro caso, de uma menina de nove meses, falecida no mês passado, está sendo investigado. Na última terça-feira, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, decretou situação de emergência por 180 dias, depois da confirmação de 271 casos e suspeita de 1.841.

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