Brasil

Prisão por tráfico de velejadores em Cabo Verde mobiliza governo brasileiro

Apesar de a Polícia Federal brasileira alegar inocência do trio, a Justiça de Cabo Verde decidiu pela condenação a 10 anos por tráfico de drogas, em março

Agência Estado
postado em 19/07/2018 07:57
Em viagem a Cabo Verde, autoridades do Brasil se mobilizam pela defesa dos três velejadores, que estão há 11 meses presos na Ilha de São Vicente. Eles tripulavam o veleiro Rich Harvest, flagrado com 1.157 quilos de cocaína no Porto de Mindelo, ilha da costa oeste da África. Apesar de a Polícia Federal brasileira alegar inocência do trio, a Justiça de Cabo Verde decidiu pela condenação a 10 anos por tráfico de drogas, em março.

Nesta semana, o presidente Michel Temer foi ao país africano para participar de reunião de chefes de Estado da Comunidade de Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP). Na terça-feira, dia 17,, abordou o caso dos velejadores com o presidente de Cabo Verde, Jorge Fonseca.

Estão presos ali os baianos Rodrigo Dantas, de 25 anos, e Daniel Dantas, de 44 (que não são parentes), além do gaúcho Daniel Guerra, de 37. O capitão era o francês Olivier Thomas, de 50, também condenado.

Nesta quarta-feira, 18, Temer participou de um encontro rápido com parentes dos brasileiros na frente de um hotel na Ilha do Sal. Segundo familiares, o presidente teria dito que daria "toda atenção e acompanhamento necessário daqui para a frente" para que "o mais breve, possam estar de volta ao Brasil". "Nós queremos muito levar nossos filhos para casa", disse Fátima Ruthe Guerra, mãe de Daniel.

Integrante da comitiva, o deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB-BA) publicou no Facebook vídeos pela liberdade dos brasileiros, que apelaram da condenação. "Ouvi que o julgamento do processo - e, eventualmente, a absolvição dos três - poderia ocorrer em outubro. Há alguma chance de isso ser antecipado, mas não há garantia de que isso de fato aconteça", disse à coluna Direto da Fonte, de Sonia Racy.
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Entre parentes, a sensação é de incerteza e angústia. "Mesmo com toda as provas de inocência que já apresentamos, eles não acatam", disse Alex Coelho Lima, tio de Rodrigo Dantas. "É um sofrimento ter de esperar um julgamento que não tem nem data, para que a situação seja revertida."

Caso


Estudantes de navegação, os brasileiros foram contratados para transportar o barco de Salvador até Açores, arquipélago de Portugal. À Justiça, eles disseram que não receberiam remuneração, mas aceitaram tripular o Rich Harvest para somar milhas náuticas no currículo - necessárias para se habilitar como condutores na Marinha.

Ao zarpar, o capitão Thomas mudou o destino para a Ilha da Madeira. No caminho, contudo, o barco teria apresentado avarias e precisou ser rebocado em Mindelo, em 22 de agosto. A polícia de Cabo Verde achou a cocaína no dia seguinte.

Todos os tripulantes afirmam não saber que havia droga escondida no barco. Dois deles - Rodrigo e Daniel Dantas - já haviam sido dispensados e aguardavam voo para o Brasil.

No julgamento, disseram ter sido vítimas do proprietário da embarcação: o inglês George Saul, o "Fox", que desistiu de acompanhar o barco, alegando problemas familiares. Segundo o processo, "Fox" estaria na mira de agência internacional contra o tráfico de drogas e já teve um irmão preso com 1,9 tonelada de maconha em Cabo Verde.

Foi um alerta da agência que fez a PF vistoriar o Rich Harvest antes da viagem, quando ainda estava atracado em Natal. Apesar de não ter encontrado nada, concluiu, em inquérito, que a carga já estava escondida sob os tanques. Para a PF, a droga foi posta no em junho, em Guarapari (ES). Ou seja, antes de os brasileiros serem contratados.

Responsável pela acusação, o Ministério Público de Cabo Verde criticou o inquérito da PF. Sobre o documento, a Justiça de Cabo Verde considerou que faltou à Polícia Federal brasileira analisar algumas provas e acatou a tese de que o veleiro recebeu a carga durante o trajeto.

A Justiça considerou, ainda, que as mudanças de rota do Rich Harvest seriam típicas do tráfico internacional de drogas. Os quatro, no entanto, foram absolvidos da acusação de associação criminosa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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