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Correio Braziliense

DF é a segunda pior unidade da Federação na realização de exame mamográfico

Dados são da Sociedade Brasileira de Mastologia. Na próxima terça-feira (25), o Correio Debate discutirá o tema Oncologia no Brasil %u2014 Inovação no Tratamento e no Diagnóstico do Câncer


postado em 21/09/2018 06:00 / atualizado em 21/09/2018 01:08

A cobertura de exames mamográficos nas mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos, atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2017, é o pior dos últimos cinco anos(foto: Auremar de Castro/EM)
A cobertura de exames mamográficos nas mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos, atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2017, é o pior dos últimos cinco anos (foto: Auremar de Castro/EM)

A cobertura de exames mamográficos nas mulheres na faixa etária entre 50 e 69 anos, atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2017, é o pior dos últimos cinco anos. O levantamento da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia, aponta que, no país, apenas 2,7 milhões de mamografias foram efetivamente realizadas, quando eram esperadas 11,5 milhões. A cobertura corresponde a 24,1%, contra os 70% recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo a instituição, o estado com o menor número de mamografias é o Amapá, com a realização de 260 exames dos 24 mil esperados. O Distrito Federal ficou em segundo, com 5 mil análises feitas diante de uma expectativa de 158,7 mil esperados. Rondônia aparece em terceiro neste triste ranking: dos 76,9 mil avaliações esperadas, 5,7 mil acabaram feitas. O estudo mostra também que o governo federal investiu apenas R$ 122,8 milhões dos R$ 510,7 milhões previstos para atender ao número esperado de mulheres nessa faixa etária, em que o maior número de mulheres é vítima do câncer de mama, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA).

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (Regional DF), Carlos Marino Calvano, a baixa na realização de mamografias se deve à dificuldade para agendamento e realização do exame. “A falta de acesso ainda é o principal motivo. Além disso, existe a difícil realidade encontrada nos hospitais com equipamentos antigos, muitas vezes quebrados e sem manutenção, somados à ausência de técnicos qualificados para operá-los”, ressalta. Calvano explica que os mamógrafos do SUS estão mal distribuídos e concentrados nas capitais, deixando boa parte da população do interior descoberta, dificultando o diagnóstico precoce.

Ele avalia a falta de informação como um agravante em relação ao aumento da mortalidade, mas aponta saídas para a melhoria no cenário. “As taxas de mortalidade aumentam onde há alto índice de exclusão humana e social e baixo índice de desenvolvimento humano. É preciso garantir o acesso à informação, levando as ações de conscientização da doença para as periferias. Além de melhorar a qualificação para profissionais de saúde, a fim de mudar o modelo de encaminhamento da doença e aumentar o desempenho do diagnóstico. Já o governo precisa oferecer exames, medicamentos e tratamento de qualidade e com agilidade para as pacientes”. Calvano recomenda ainda que os exames de mamografia sejam feitos a partir dos 40 anos ou antes,  se houver risco familiar.

A coordenadora da Unidade de Determinantes da Saúde, Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS/OMS no Brasil, Katia de Pinho Campos, afirmou que o câncer de mama é o quinto tipo que mais mata no planeta. “O câncer deve ser tratado em abordagem integral, como parte de prevenção para reduzir exposição à fatores de risco como o tabaco, o abuso de álcool, a má alimentação, a obesidade e a falta de atividade física. Entre 30% e 50% dos cânceres podem ser prevenidos. No Brasil, o diagnóstico e o tratamento, se comparados a outros países, têm avançado, mas é preciso melhorar. O OPAS busca e apoia como proposta a melhoria no registro de diagnóstico de câncer, essa é uma recomendação global”, enfatiza.

Com a importância do assunto, na próxima terça-feira (25/09), o Correio Braziliense promove o Correio Debate, com o tema Oncologia no Brasil — Inovação no Tratamento e no Diagnóstico do Câncer. O debate reunirá especialistas e autoridades para discutir as inovações e atualidades no diagnóstico prévio e no tratamento do câncer. Realizado pelo Correio Braziliense e patrocinado pelo Sírio Libanês, o evento ocorrerá das 13h30 às 18h30, no auditório do jornal, no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), Quadra 2, Lote 340. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas por meio do site https://www.correiobraziliense.com.br/correiodebate/oncologia/, com vagas limitadas. 

 
Um welcome coffee será oferecido no começo da cerimônia, aberta pelo secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adeilson Loureiro Cavalcanti. Os painéis serão divididos em duas partes. O primeiro terá como tema “Rastreamento e diagnóstico precoce: os caminhos da prevenção” e contará com a participação do oncologista do Sírio-Libanês Brasília Rodrigo Medeiros, com o membro da Diretoria da Associação Brasileira de Mastologia (SBM) Pollyanna Dornelas Pereira e o coordenador de Pesquisa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) João Paulo Viola.

No segundo quadro, o assunto a ser abordado será: "Tratamentos: o que há de atual e as promessas para o futuro", que contará com a participação do pesquisador do INCA e da Fiocruz Martin Bonamino; o imunoterapeuta do Sírio-Libanês Brasília Romualdo Barroso; o especialista em transplante de medula óssea e terapia celular do Sírio-Libanês Brasília, Fernando Blumm; e o membro da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) Daniel Marques.

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