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Correio Braziliense

Sedentarismo é um dos vilões no combate ao câncer de mama

Pesquisa do Ministério da Saúde mostra que 12% das mortes decorrentes da doença estão relacionadas ao sedentarismo. Nas capitais estaduais, 13,9% das mulheres não praticam atividades físicas regulares


postado em 20/10/2018 07:00

Uma caminhada diária de 30 minutos poderia ter salvado mais de 2 mil pacientes(foto: Minervino Junior/CB/D.A.Press - 8/1/16)
Uma caminhada diária de 30 minutos poderia ter salvado mais de 2 mil pacientes (foto: Minervino Junior/CB/D.A.Press - 8/1/16)

A falta de exercícios físicos é apontada por pesquisadores como uma das causas do câncer de mama. O artigo intitulado Mortalidade e anos de vida perdidos por câncer de mama atribuíveis à inatividade física na população feminina brasileira (1990-2015), publicado na revista Nature, com participação do Ministério da Saúde, mostra que, em 2015, 2.075 mortes poderiam ter sido evitadas se as pacientes realizassem ao menos uma caminhada de 30 minutos por dia, cinco vezes por semana. Isso significa que uma em cada 10 vítimas da doença no Brasil (cerca de 12%) poderia sobreviver se optasse pela atividade física regular.

De acordo com o ministério, um dos fatores que causam o câncer de mama é o excesso de estrogênio, que pode levar à formação de mutações e carcinogênese, estimulando a produção de radicais. A atividade física diminui o estradiol e aumenta a globulina de ligação a hormonas sexuais, provocando redução de circulantes inflamatórios e aumentando as substâncias anti-inflamatórias.

Preocupada com o bem-estar,  a dona de casa Madalena Maria do Nascimento, 56 anos, moradora do Sudoeste, explica que procura praticar exercícios regularmente. “Como fico muito em casa, cuidando dos afazeres, se eu não me policiar, fico no sedentarismo. Procuro caminhar pelo menos uma hora, três vezes na semana. Desde que comecei, me sinto mais disposta. E isso também ajuda a prevenir vários tipos de doença. Procuro envelhecer com saúde.”

A diretora do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis e Promoção da Saúde da Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério, Fátima Marinho, frisa a importância de deixar o sedentarismo de lado. “A prática de atividade física melhora o metabolismo de alguns hormônios relacionados com o câncer de mama, o que pode evitar a doença e até melhorar o quadro de uma paciente”, explica.

O levantamento ressalta também que o consumo de álcool, o excesso de açúcar e a obesidade aumentam em 6,5% a mortalidade por câncer de mama. Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, estados que exibem os melhores indicadores socioeconômicos, apresentaram as maiores taxas de óbitos por câncer de mama atribuídos à inatividade física. Nos estados do Norte e Nordeste, ocorreu uma transição de mortalidade, com aumento dos óbitos por doenças crônicas e redução dos resultantes de outros fatores.

A oncologista Luci Ishii, presidente da Associação Brasiliense de Apoio ao Paciente com Câncer (Abac Luz), ressalta a importância da prática de exercícios e da alimentação saudável. “Quando se praticam exercícios, o cérebro produz substâncias que aumentam a imunidade. O sedentarismo leva à obesidade. As células tumorais são estimuladas pelos hormônios femininos que ficam retidos no tecido gorduroso. A obesidade causa queda da imunidade, deixando mais suscetível a doenças, inclusive o câncer. Uma dieta saudável também é importante, pois aumenta a imunidade e evita o câncer de mama.”

Vigitel


A Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2017), do Ministério da Saúde, aponta que 13,9% das mulheres das capitais brasileiras são sedentárias. O número é maior entre as que têm mais idade, mas é alto também entre as jovens com idade entre 18 e 24 anos (21%). Entre elas, 51,3%  praticam exercícios insuficientes: não alcançam o equivalente a pelo menos 150 minutos semanais de atividades de intensidade moderada ou 75 minutos semanais de atividades de intensidade vigorosa.

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