Publicidade

Correio Braziliense

Justiça bloqueia R$ 27,5 mi do governo de GO para pagar dívidas de hospital

Principal unidade de saúde de Goiânia, o Hugo sofre com a falta de recursos humanos, medicamentos e insumos


postado em 09/11/2018 06:00

O Instituto Gerir, administrador do hospital, admite que a unidade tem funcionado de maneira precária. Governo alega imprevistos no fluxo de caixa para justificar problemas nos repasses(foto: Luís Nova/Esp.CB/D.A Press)
O Instituto Gerir, administrador do hospital, admite que a unidade tem funcionado de maneira precária. Governo alega imprevistos no fluxo de caixa para justificar problemas nos repasses (foto: Luís Nova/Esp.CB/D.A Press)

A grave crise que abate a principal unidade médica de Goiás, o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), levou a Justiça Federal a bloquear R$ 27,5 milhões do governo estadual para o custeio dos atendimentos. Além disso, o Instituto Gerir, organização social responsável pela administração do local, pediu o cancelamento do contrato com a Secretaria de Saúde. O principal argumento são as dívidas que se acumulam há meses.

Os transtornos no hospital começaram há quatro meses, quando o Ministério Público do Trabalho proibiu a unidade de receber mais pacientes devido à falta de medicamentos e de insumos. A lista completa chegou a ter 150 itens. Apesar da determinação, o hospital continua acolhendo mais pessoas. A situação degringolou ainda mais com uma paralisação dos servidores.

O Executivo goiano minimiza as falhas e garante que vai zerar as dívidas — cerca de R$ 44 milhões, segundo o Instituto Gerir — até dezembro. Em outubro, a Secretaria de Saúde pagou R$ 17,6 milhões ao órgão responsável pela administração do hospital. Mais R$ 17 milhões devem ser pagos até dezembro, segundo o governo. Diante desse panorama, o governo decidiu recorrer da decisão. “Demonstramos os recentes pagamentos realizados para as organizações sociais que administram as unidades de saúde”, ressalta, em nota.

Na decisão sobre o bloqueio, o juiz Mark Yshida Brandão, da 7ª Vara da Justiça Federal, criticou as falhas no serviço. “O Poder Público não tem cumprido com seu inalienável e intransferível dever de prestar um razoável serviço de saúde pública, fazendo com que os usuários do SUS sejam submetidos aos riscos existentes na assistência hospitalar deficiente”, escreveu. Além disso, ele determinou que a Secretaria de Saúde mantenha repasses de forma regular e integral e que fiscalize a prestação de serviços.

“Risco de infecção”

Ao pedir a rescisão de contrato com a secretaria, o Instituto Gerir alega “atrasos recorrentes de pagamento e deficits constantes, que resultam em falta de recursos materiais e humanos para que a organização social continue prestando o trabalho de excelência”.

A entidade reconhece falhas na unidade. “O Hospital de Urgências de Goiânia vem funcionando de forma precária, dada a falta de medicamentos e insumos, apresentando cancelamento de cirurgias; prescrição de medicamentos conforme disponibilidade na farmácia e não sobre o que seria mais adequado para o paciente; aumento do risco de infecção hospitalar; e paralisação parcial dos prestadores de serviços”, destaca, em comunicado.

O governo goiano, por sua vez, diz que o problema é uma questão pontual, devido a imprevistos no fluxo de caixa do Tesouro Estadual, provocados pelo cenário econômico adverso no país. O estado reafirma que os repasses têm sido realizados para todas as organizações sociais que administram 17 unidades de saúde.

Em setembro, médicos, farmacêuticos e enfermeiros denunciaram problemas no hospital. Uma auditoria concluiu que as falhas “colocam em risco grave, iminente e recorrente” a vida dos profissionais e dos pacientes. Na tentativa de cessar a tensão, o secretário de Saúde, Leonardo Vilela, liberou emergencialmente R$ 2 milhões para a compra de insumos.

O Hugo em números

407 leitos de internação
4 unidades de UTIs, com 58 leitos
3 mil atendimentos de urgência e emergência por mês
2.600 atendimentos ambulatoriais mensais
45 cirurgias de grande porte por dia (maioria ortopédicas, por trauma)

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade