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Correio Braziliense

Projeto da Amazônia Azul tem importância estratégica para o Brasil

Projeto da Marinha visa garantir o uso sustentável das riquezas em uma superfície de 4,5 milhões de quilômetros quadrados - equivalente à Floresta Amazônica - na costa brasileira. Seminário organizado em parceria com o Correio mostra a importância estratégica da área


postado em 13/11/2018 06:00

O almirante Ilques Barbosa Junior abriu o evento, que chamou a atenção para a necessidade de conhecer o oceano(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
O almirante Ilques Barbosa Junior abriu o evento, que chamou a atenção para a necessidade de conhecer o oceano (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
“O conhecimento, mais que a força, determina a base para razão.” O almirante de esquadra Ilques Barbosa Júnior e a Marinha Brasileira têm se guiado por essa ideia para capitanear um dos projetos de maior destaque da armada: a Amazônia Azul. Idealizada com o objetivo de resguardar uma área que corresponde a 4,5 milhões de quilômetros quadrados, equivalente à superfície da Amazônia Verde — isto é, a Floresta Amazônica —, a proposta é uma tentativa de conscientizar o país sobre as riquezas naturais espalhadas pelo território marítimo e, mais do que isso, um esforço concentrado para atribuir a essa porção valor militar estratégico.

Estima-se que os oceanos abriguem 80% da vida do planeta e absorvam 90% do aquecimento global contido na atmosfera. Mas, a relação entre os homens e os mares não tem se esquivado de negligências, já que o contato com o mar ainda é conflituoso e pouco sustentável. Por isso, a Marinha busca esclarecer os brasileiros e outros órgãos governamentais sobre a importância de se preservar o oceano e investir na chamada “economia azul”, assunto tratado no Simpósio Amazônia Azul — promovido com apoio do Correio —, ontem, no Lago Sul.

Para o professor Rodrigo More, do Departamento de Ciências do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e candidato do Brasil a juiz no Tribunal Internacional do Direito do Mar na Organização das Nações Unidas, o conceito de economia azul é “a nova fronteira da economia mundial”. Ele sustentou que o investimento privado em áreas naturais e a contenção das políticas de subsídios nesse campo, apoiados em pilares como o uso sustentável dos oceanos, o crescimento econômico, a segurança alimentar, a geração de empregos e a preservação do meio ambiente marinho, são meios altamente eficientes de investir nas potencialidades naturais.

“No Brasil, temos riquezas que interessam ao povo e temos empresas que demonstram capacidade em áreas altamente competitivas, como a Petrobras. A economia azul, pautada no uso sustentável dos oceanos, desponta como a nova fronteira da economia”, explica o acadêmico. “O empresariado busca um governo que promova empregos, dê acesso ao crédito e governe com menos burocracia. O que o conceito de economia azul propõe é justamente isso. O Brasil precisa investir em ciência, tecnologia e inovação para chegar a esse ponto”, emenda.

O investimento em pesquisas é outro norte pelo qual a Marinha se guia. “Precisamos investir em desenvolvimento tecnológico, apoiar os sistemas de observação, ter uma estrutura mais eficiente”, diz o professor de  oceanografia José Henrique Muelbert, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). “O Brasil faz parte do sistema global de observação dos oceanos, mas não tem institutos nacionais de pesquisa oceanográficos. A Marinha é uma parceira importantíssima, porém, podemos ampliar esse planejamento estratégico.”

Conflitos entre nações e a criminalidade marítima são ameaças ao  território oceânico demarcado pelo Brasil. Por isso, outra preocupação da Marinha é resguardar a extensão territorial por meio da ocupação. “As ações do mar sempre se demarcaram pela presença, jamais pela ocupação, características das ações em terra. Mas agora, a ocupação de áreas oceânicas ricas em recursos naturais dá ao Estado vantagens significativas estratégicas, o que tem levado a um processo de nacionalização dos espaços oceânicos”, explicou o almirante de esquadra e presidente do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha, Álvaro Monteiro.

* Estagiário sob supervisão de Odail Figueiredo

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