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Correio Braziliense

Substituindo cubanos, nove médicos brasileiros já chegaram a Goiás

Os médicos foram destacados para Aparecida de Goiânia, Catalão, Cidade Ocidental e Crixas. Profissionais cubanos que atuavam no DF ainda não não foram substituídos


postado em 27/11/2018 15:27 / atualizado em 27/11/2018 16:32

O Ministério da Saúde continua selecionando candidatos até 7 de dezembro(foto: Karina Zambrana/ASCOM/MS)
O Ministério da Saúde continua selecionando candidatos até 7 de dezembro (foto: Karina Zambrana/ASCOM/MS)
O governo brasileiro está repondo os médicos cubanos que abandonaram o Programa Mais Médicos. Segundo o mais recente balanço do Ministério da Saúde, foram efetivados 224 profissionais. Ao todo, 118 cidades, o que representa 4% da lista de 2.824 com vagas disponíveis, receberam novos integrantes. Para substituir as vacâncias, o ministério continua selecionando candidatos até 7 de dezembro. 
 
Goiás, por exemplo, recebeu nove profissionais, destacados para Aparecida de Goiânia, Catalão, Cidade Ocidental e Crixas. São Paulo e Minas Gerais são os estados com mais municípios onde os médicos já estão trabalhando: 24 e 22, respectivamente.
 
O DF contava com 20 profissionais cubanos, que já deixaram a capital federal. Até esta terça-feira (27/11), eles não haviam sido substituidos. Desde o dia 23, a Secretaria de Saúde não tem mais vínculo com eles. 

Ao todo, 30.734 pessoas se inscreveram para os 8.517 postos de trabalho que eram ocupados por cubanos. Balanço do Ministério da Saúde mostra que 97,2% dos cargos já têm médicos definidos.

A substituição dos médicos cubanos corre após o governo de Havana romper o convênio, alegando como motivo críticas e declarações do presidente eleito, Jair Bolsonaro, interpretadas como "ameaçadoras" e "desrespeitosas". Após o anúncio, Bolsonaro disse que a saída ocorria porque Cuba não havia aceitado algumas condições para a continuidade, como os médicos passarem pelo exame de reconhecimento de diplomas estrangeiros e o pagamento integral da bolsa de R$ 11 mil ao profissional — pelo acordo, Cuba ficava com 70% do provimento. 

Flávio Goulart, especialista em gestão da saúde pública e integrante do Observatório da Saúde, acredita que nem todas as vagas serão ocupadas. "Na última hora, cidades que ficam distantes e não têm infraestrutura assustam os médicos, e eles desistem do trabalho. Não vamos nos iludir. Pode ser que esse preenchimento não se verifique na hora da opção final. O ideal seria preencher com médicos brasileiros, mas isso pode não acontecer", pondera.
 

Regresso de cubanos 

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) contabiliza que 1.307 médicos já deixaram o Brasil em sete voos fretados — 15,3% do total. A previsão é que, até 12 de dezembro, todos os 8,3 mil cubanos tenham retornado a Havana. 

Os cubanos que foram embora atendiam em 733 municípios de 25 estados e no Distrito Federal. "Está em andamento o processo de retorno dos médicos cubanos da cooperação internacional entre Brasil, Cuba e a Opas. Outros voos estão previstos para partir ao longo dos próximos dias", informou a entidade internacional, em comunicado. 
 
A diretora de Comunicação do Ministério de Relações Exteriores de Cuba, Yaira Jiménez Roig, comentou na segunda-feira, pela primeira vez, a ruptura com o governo brasileiro. Ela afirmou, em transmissão pela internet, que não foi procurada pela equipe de transição de Bolsonaro para debater o convênio que os dois países mantinham.
 
"Asseguro que nenhum membro da equipe informou ao Ministério de Saúde Pública de Cuba o interesse de ter uma troca de ideias sobre o termo de cooperação vigente, o que indica que o propósito não é de manter o programa, mas de eliminá-lo", criticou.

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