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Correio Braziliense

Livro de ficção debate inteligência artificial

Hybris: inteligência artificial e a revanche do inconsciente, do embaixador Alessandro Candeas, será lançado na sexta-feira (30/11), no restaurante Carpe Diem, a partir das 19h.


postado em 29/11/2018 08:48

(foto: Marilia Lima/CB/D.A Press)
(foto: Marilia Lima/CB/D.A Press)


Apenas a filosofia e a psicologia podem nos salvar de nós mesmos. Esqueça a dramaticidade da frase inicial, estamos num enredo de ficção, mas que leva de maneira rigorosa e profunda o debate sobre a inteligência artificial. É disso que se trata Hybris: inteligência artificial e a revanche do inconsciente (Editora Novo Século, 255 pgs), do embaixador Alessandro Candeas, que será lançado amanhã no restaurante Carpe Diem, a partir das 19h.

De maneira competente — unindo talento literário e preocupações sociais e tecnológicas —, Candeas leva o leitor ao futuro que está logo ali na esquina, onde computadores dominam o cotidiano por completo. Sim, afinal hoje já tomamos decisões a partir de dados que máquinas e telefones celulares nos apresentam, como previsão do tempo, rotas de tráfego ou até mesmo definições de políticas públicas. Mas estar conectado ainda pode ser uma opção segura, a depender do usuário.

O que Candeas, porém, propõe ao leitor é algo mais radical, uma distopia. “Como será a sociedade quando a inteligência artificial estiver tão presente na nossa rotina quanto a energia e a internet?”, questiona, para continuar: “Quando os sistemas cibernéticos superarem a inteligência do cérebro humano e se tornarem conscientes?” A partir da proposta do debate — algo que faz com que o autor tenha controle sobre a própria narrativa, afinal é ficção científica, mas estamos longe de um delírio literário —, o diplomata-escritor mostra a própria preocupação.

“E se surgissem novas classes sociais, econômicas e políticas, segundo o nível de associação com as máquinas inteligentes?” A trama tem como protagonista Jason, um menino de sete anos com síndrome de Down. É a partir desse herói que Candeas estabelece todos os dilemas que nos esperam mais adiante. A mãe de Jason pertence ao mundo dos excluídos digitais, por eleger o mundo natural. Mas a história começa a se complicar quando a Autoridade Central, que não se conforma com a condição de Jason, inicia uma operação tendo como alvo o garoto.

E fiquemos por aqui para não entregar mais detalhes de um livro feito com maestria por um autor culto, que se aventura com responsabilidade na literatura, a partir de referências como Gabriel García Márquez e o seu Cem Anos de Solidão. Mas uma pista pode nos ser dada sobre a luta de titãs: “Como vencer a extrema força artificial da hiperconsciência e do hipermaterialismo embutidas nas supermáquinas? Somente com uma força de antítese ainda mais potente: a natureza, com seu poder inconsciente e imaterial, com sua extraordinária capacidade de produzir o improvável e o impossível.”

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