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Correio Braziliense

Aumento no caso de sarampo se torna preocupação para a OMS

De janeiro a 27 de novembro, já se confirmaram 10.163 casos e 12 óbitos. No Amazonas e em Roraima, há surtos da doença


postado em 01/12/2018 07:00

No Brasil, o Ministério da Saúde registra queda na cobertura vacinal (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press - 18/8/18)
No Brasil, o Ministério da Saúde registra queda na cobertura vacinal (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press - 18/8/18)

Considerada uma doença erradicada em boa parte do mundo, o sarampo volta a crescer globalmente, alerta um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 2017, houve aumento de 30% de casos em relação a 2016. As Américas, o Leste do Mediterrâneo e a Europa foram as regiões com maiores altas, depois de 16 anos computando queda nos registros dessa enfermidade viral, altamente infecciosa. O Brasil não mandou estatísticas dos últimos 12 meses para a elaboração do documento, mas, segundo o Ministério da Saúde (MS), não houve casos em 2016 e 2017.

O país, porém, vive uma situação bem diferente agora: de janeiro a 27 de novembro, já se confirmaram 10.163 casos e 12 óbitos. No Amazonas e em Roraima, há surtos da doença. Paralelo a isso, o Brasil apresenta queda nas imunizações — situação observada no restante do mundo pelo relatório da OMS. Dados do MS apontam queda nas coberturas vacinais desde 2014, quando a adesão ao programa de imunização foi de 102,3% (primeira dose) e 92,8%. Dois anos depois, os percentuais caíram para 95,4% e 78,7%, e, em 2017, baixaram para 85,2% e 69,9%. Entre as possíveis causas do fenômeno, o ministério destaca a falsa sensação de que não há mais necessidade de se vacinar devido ao sucesso das campanhas anteriores, o desconhecimento individual sobre a importância das vacinas, a incompatibilidade com novos horários dos postos de saúde, e a circulação de notícias falsas na internet e no WhastApp, que colocam em dúvida a eficácia e a segurança da imunização.

A OMS também aponta as fake news sobre vacinas como uma das explicações para o ressurgimento não só do sarampo, mas de outras doenças que já estavam erradicadas, como a poliomielite. “O aumento dos casos de sarampo é profundamente preocupante, mas não surpreendente”, afirmou, em uma teleconferência de imprensa, Seth Berkley, o CEO da Gavi, a Aliança de Vacinas. “A complacência em relação à doença e a disseminação de notícias falsas sobre a vacina, combinados a um sistema de saúde em colapso na Venezuela e a bolsões de fragilidade e baixa cobertura de imunização na África, provocaram o ressurgimento global do sarampo após anos de progresso. As estratégias existentes precisam mudar, caso contrário, continuaremos vendo um surto atrás do outro”, completou. Em 2017, houve 110 mil mortes causadas pela doença.

“O ressurgimento do sarampo é algo extremamente preocupante, com surtos ampliados ocorrendo em todas as regiões, e, particularmente, em países que alcançaram ou estavam perto de alcançar a eliminação da doença”, disse, no evento, Soumya Swaminathan, diretor-geral adjunto para Programas da OMS. Esse era o caso do Brasil, que, em 2016, recebeu das Nações Unidas o certificado de erradicação da enfermidade. “Sem esforços urgentes para aumentar a cobertura de vacinação e identificar populações com níveis inaceitáveis de crianças com ou sem imunização, corremos o risco de perder décadas de progresso na proteção de crianças e de comunidades contra essa doença devastadora, mas totalmente evitável”, emendou.

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