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Correio Braziliense

Só um quarto dos selecionados no Mais Médicos não se apresentou até agora

Eles têm até 14 de dezembro para ocupar os postos de trabalho. Brasília, por exemplo, que conta com 21 vagas, já recebeu 16 novos médicos.


postado em 04/12/2018 06:00 / atualizado em 04/12/2018 12:05

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )

Pouco mais de dois mil profissionais se apresentaram ao município onde vão substituir cubanos do programa Mais Médicos. Isso representa 24,8% do total de 8.376 selecionados para atuação imediata. Eles têm até 14 de dezembro para ocupar os postos de trabalho. Brasília, por exemplo, que conta com 21 vagas, já recebeu 16 novos médicos. As inscrições continuam até sexta-feira pelo site do Ministério da Saúde.

Um dos problemas já identificados na recomposição do programa é a migração de profissionais. Cálculos do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems) mostram que 34% dos inscritos no Mais Médicos já atuavam em outros postos ou unidades básicas de saúde. Com isso, esses locais perderão cerca de 2,8 mil profissionais.

Apesar de as condições de trabalho serem semelhantes, os médicos são atraídos pelo salário. Eles recebem bolsa-formação de R$ 11,8 mil e uma ajuda de custo que pode chegar a R$ 30 mil para deslocamento para o município de atuação. Além disso, a moradia e a alimentação são custeadas pelas prefeituras.

Para o vice-presidente do Conasems, Wilames Freire Bezerra, o baixo número de apresentação dos selecionados e as vacâncias abertas pelos inscritos que migraram de outras unidades criam gargalos que pressionam a saúde pública. “Poderia ser mais rápido. Há 30 dias, Cuba rompeu com o programa e, até agora, a reposição está ocorrendo em número muito baixo. Podem desistir da vaga. Uma coisa é se inscrever, outra é assumir o posto de trabalho”, reclama.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) também observa com preocupação, apesar de garantir que o país conta com profissionais suficientes para cobrir as vagas. “Quando o médico troca um serviço por outro, o município fica desassistido, independentemente da movimentação, se é do hospital para o posto de saúde. O impacto é ainda maior no Nordeste e em partes do Norte, onde os médicos são mais escassos”, destacou uma fonte, que pediu para não ser identificada.

Ontem, médicos inscritos para ocupar lugar de cubanos se apresentaram na capital paulista para conhecer os locais de trabalho. Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, 78 profissionais se inscreveram para integrar a rede. Em todo o estado, há 1.406 vagas, sendo 424 na região metropolitana.

Dos médicos aptos a se apresentarem aos locais de trabalho, 53,3% escolheram cidades com maior vulnerabilidade. Outros 17,3% optaram por periferias das capitais e regiões metropolitanas. De acordo com as regras do programa, têm prioridade cidades mais pobres.

Segundo informações do Granma, jornal oficial de Cuba, mais 423 médicos retornaram ao país no último fim de semana. O grupo desembarcou em Havana em dois voos fretados. Na semana passada, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) informou que 1.307 profissionais haviam deixado o Brasil — cerca de 15%.

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