Publicidade

Correio Braziliense

Ativistas se mobilizam para cobrar apuração de morte de cachorro em mercado

Grupo foi até à delegacia que investiga o caso e assistiu imagens das câmeras de segurança. Entre as integrantes do grupo estava a apresentadora Luisa Mell


postado em 04/12/2018 18:38 / atualizado em 05/12/2018 15:19

(foto: Reprodução/Facebook)
(foto: Reprodução/Facebook)

A apresentadora Luisa Mell e outros ativistas e defensores dos direitos dos animais se reuniram nesta terça-feira (4/12) para tentar elucidar e cobrar a punição dos responsáveis pela morte de um cachorro em uma unidade da rede Carrefour em Osasco, em São Paulo.

Registrado por Luisa em suas redes sociais, o encontro contou com a participação, entre outras pessoas, da presidente da ONG Bendita Adoção, Beatriz Silva; do jurista e deputado estadual Fernando Capez (PSDB) — escolhido pelo governador eleito, João Doria, para chefiar o Procon de São Paulo a partir de 2019 —; e do vereador Ralfi Silva (Podemos), que preside a Frente Parlamentar de Proteção e Defesa dos Animais da Câmara Municipal de Osasco.
 
 

O grupo esteve na Delegacia de Polícia de Investigações Sobre o Meio Ambiente de Osasco (DIICMA), onde viu as imagens das câmeras de segurança do supermercado. A gravação mostra o animal sendo agredido com uma barra de alumínio por um segurança e, posteriormente, sendo recolhido por agentes do Centro Controle de Zoonoses.

"A agressão, com essas imagens que conseguimos agora, ficou comprovada. Não tem mais dúvidas que esse segurança realmente agrediu o cachorro", afirmou ao grupo a delegada Silvia Fagundes. Em relação a uma denúncia de que o corpo do animal teria sido cremado para eliminar a prova, a titular da DIICMA esclareceu que este é um procedimento padrão da zoonoses: "Eles atenderam achando se tratar de um cachorro abandonado, não de um caso policial".

Luisa também questionou o atendimento dado ao animal pelo Centro de Controle de Zoonoses. Ralfi Silva disse que vai "analisar as imagens com calma, chamar os responsáveis pela zoonoses e apurar eventual excesso de algum funcionário". Já Fernando Capez explicou que é preciso apurar a "responsabilidade criminal de quem agrediu o cachorro e omitiu o socorro, a responsabilidade civil do supermercado e a responsabilidade administrativa do centro de zoonoses".

Por fim, os ativistas pediram que pessoas que testemunharam o caso compareçam à delegacia para prestar depoimento e ajudar a esclarecer o caso. "É muito importante que as pessoas tenham coragem, coloquem a sua cara, porque esse animal morreu injustamente, da forma mais bárbara que existe", disse Luisa Mell. "A gente vai exigir justiça", arrematou.
 

O caso 

O animal foi morto na última quarta-feira (28/11). Logo depois, o caso ganhou grande repercussão nas redes sociais, com pessoas compartilhando imagens do cachorro ferido e pedindo a punição dos responsáveis. 

Um laudo veterinário apontará a causa da morte do cão. Há também suspeita de o bicho ter sido envenenado. Segundo testemunhas, o segurança teria agido após uma ordem superior para retirar o cachorro da loja, por incomodar os clientes. Ainda segundo os relatos, o animal circulava nas dependências do estabelecimento há algumas semanas e chegou a ser alimentado por funcionários do hipermercado.

O cachorro recebeu atendimento do Centro de Controle de Zoonoses de Osasco, mas não resistiu aos ferimentos. Funcionários do Carrefour chegaram a alegar que o animal havia sido atropelado no estacionamento, mas a versão acabou contestada por outros trabalhadores do hipermercado que disseram ter visto o animal ser agredido a pauladas.
 

Mercado

Depois de assistirem às imagens na delegacia, o grupo foi à unidade do Carrefour onde a agressão aconteceu. De acordo com Fernando Capez, os ativistas foram recebidos por um vice-presidente da organização. Após a reunião, Luisa Mell disse que a empresa se comprometeu "a treinar todos os funcionários do país e ajudar financeiramente várias ONGs de proteção animal". "Agora o que eu vou lutar é para que esse cachorro que morreu injustamente — que a gente não pode salvar —, seja um símbolo para que a gente consiga salvar muitos outros", pontuou a apresentadora.

  

Em nota divulgada na noite desta terça-feira (4/12), a rede afirma reconhecer "que um grave problema ocorreu" na unidade de Osasco, defende ser a maior interessada na investigação dos fatos e diz que "desde o início da apuração, o funcionário da empresa terceirizada foi afastado".
 
 

Leia a nota na íntegra:

"O Carrefour reconhece que um grave problema ocorreu em nossa loja de Osasco. A empresa não vai se eximir de sua responsabilidade. Estamos tristes com a morte desse animal. Somos os maiores interessados para que todos os fatos sejam esclarecidos. Por isso, aguardamos que as autoridades concluam rapidamente as investigações. Desde o início da apuração, o funcionário da empresa terceirizada foi afastado. 

Qualquer que seja a conclusão do inquérito, estamos inteiramente comprometidos em dar uma resposta a todos.

Queremos informar também que estamos recebendo sugestões de várias entidades e ONGs ligadas à causa que vão nos auxiliar na construção de uma nova política para a proteção e defesa dos animais.

Carrefour Brasil"

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade