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Correio Braziliense

Artigo: HIV, preocupação para a vida


postado em 22/12/2018 11:28

(foto: Amaro Jr/CB/D.A Press)
(foto: Amaro Jr/CB/D.A Press)
Primeiro de dezembro é o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Mas a importância do tema faz com que valha a pena falar sobre o assunto mesmo 21 dias depois da data. O mês inteiro foi batizado de Dezembro Vermelho exatamente pela luta contra o vírus HIV, causador de uma das doenças que mais tiraram vidas nos anos 1980 e 1990. Segundo o Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS), atualmente, a história é outra. Cada vez menos pessoas têm morrido de Aids no Brasil, diz o documento divulgado pela pasta. O dado é uma ótima notícia, se não fosse por um detalhe assustador. A quantidade de jovens de até 25 anos que têm se exposto e contraído o vírus cresce. O abandono do uso de preservativos na hora das relações sexuais é a maior causa de novas infecções.

Nos dias de hoje, há 10.700 pessoas convivendo com Aids/HIV no Distrito Federal. De acordo com o boletim, houve, nos últimos 10 anos, uma queda de 25% no número de mortes em decorrência da doença na capital. Porém, a preocupação é o crescimento de ocorrências entre jovens de 15 a 24 anos. No ano passado, 105 pessoas morreram, vítimas da Aids no DF. O diagnóstico precoce diminuiu em 8% esse número, de 2016 para 2017. Porém, preste atenção: em 2012, a taxa de infecção pelo HIV entre jovens era de 4% do total de casos. Atualmente, esse número chega a 10% entre jovens. Ou seja, aumentou!

Há quem diga que essa geração não viveu os tempos sombrios da Aids, quando ainda não existiam estudos ou tratamentos, e adquirir o vírus era uma sentença de morte. Hoje, graças à evolução da medicina e da indústria farmacêutica, é plenamente possível conviver com HIV, e nem sequer transmitir o vírus. Uma vez medicado, com o uso contínuo de antirretrovirais (que também já melhoraram absurdamente desde a descoberta), uma pessoa soropositiva mantém carga viral tão baixa que se torna indetectável, ou seja, intransmissível. “Os jovens encaram o HIV, hoje, como uma gripe. Se medicado, não há sintomas, não transmite, então, está tudo bem”, é o que se diz por aí. Mas isso não é verdade.

O HIV não é uma gripe. Apesar das facilidades de se conseguir tratamento — gratuito — no Sistema Único de Saúde (SUS), outras questões precisam ser levadas em consideração. Há pacientes que apresentam efeitos colaterais à medicação; há quem caia em depressão e não consiga lidar com o novo estilo de vida que terá de adotar para sempre; e há o preconceito, que, infelizmente, ainda é avassalador mundo afora. E mata. Ter HIV não é o fim do mundo, mas isso não é motivo para deixar a vida nas mãos do acaso. Do destino. Quem ama cuida, não é o que dizem? E o amor próprio deve vir em primeiro lugar. Doze meses por ano e não só em dezembros vermelhos.

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