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Correio Braziliense

João de Deus diz não se lembrar de vítimas em depoimento ao MPGO

O médium João de Deus foi interrogado por mais de duas horas, nesta quarta-feira, por promotores do Ministério Público de Goiás


postado em 26/12/2018 16:46 / atualizado em 26/12/2018 18:25

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Em mais de duas hora de depoimento, o médium João de Deus, acusado por quase 600 mulheres de abuso sexual, negou ter molestado frequentadoras do centro espírita Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia. Seu advogado, Alberto Toron, garante que o líder espiritual respondeu a todas as perguntas dos promotores e disse que ele não reconheceu nenhuma das supostas vítimas. A mulher do religioso, Ana Keyla Teixeira, também prestou esclarecimentos. Ela defende a inocência do marido. 

 

João de Deus foi perguntado sobre três casos específicos, um deles em setembro passado. As acusações fazem parte do primeiro inquérito da Polícia Civil concluído pela Polícia Civil de Goiás. Essa parte da investigação indicia o médium por violação sexual mediante fraude. Outros oito inquéritos seguem em andamento. Ele deixou o Complexo Penitenciário de Aparecida de Goiânia sob forte esquema de segurança, que o acompanhou até o Ministério Público de Goiás (MPGO), nesta quarta-feira (26/12). Ao todo, a investigação colheu 78 depoimentos. 

 

Alberto Toron disse que os promotores agiram com “correção” durante os questionamentos. “Foi importante e esclarecedor, já que ele respondeu a todas as perguntas. Ele disse que não se lembrava de quem eram as vítimas, ressaltou que atendida muitas pessoas e que era impossível lembrar pelo nome, até porque não foi mostrada nenhuma foto. Com exceção de uma que lhe soou familiar, mas ele acabou não se lembrando dela”, destacou o advogado. Quatro mulheres que dizem ter sido abusadas pelo médium prestaram depoimento no Ministério Público do Rio de Janeiro.

 

O depoimento da esposa

A mulher de João de Deus depôs depois do médium. Diferentemente dele, ela prestou esclarecimentos à Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), onde permaneceu ao longo de toda a tarde. Em entrevista ao Correio no início do mês, quando surgiram as primeiras denúncias, ela defendeu a inocência do marido. "Ele não fez isso, mas em um momento oportuno, vou dizer alguma coisa", disse à época. 

 

João de Deus será ouvido pela Polícia Civil de Goiás após novas diligências, incluindo oitivas de testemunhas. Ele terá que explicar ainda a origem de mais de R$ 1,6 milhão encontrados em endereços ligados a ele, além da origem de cinco armas sem registro que foram apreendidas em um fundo falso de um guarda-roupa. "O homem João de Deus é perigoso. Essa é a conclusão da Polícia Civil do estado de Goiás", classificou o delegado Valdemir Branco.

 

Outra parte da defesa do médium insiste na libertação do religioso. O advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay, reiterou o pedido de análise de liminar para tirá-lo da prisão no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, só se manifestará após receber informações do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e um parecer da Procuradoria Geral da República.

 

78 denunciantes já foram ouvidas

Uma força-tarefa foi montada no MPGO sob a coordenação do procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres Neto, que manteve os trabalhos no feriado de Natal.  As vítimas podem procurar uma unidade do Ministério Público, em qualquer estado, para prestar depoimento. 

 

Até agora, segundo o Ministério Público de Goiás, já foram coletados 78 depoimentos de vítimas de abusos sexuais. Mais de 600 mensagens chegaram à instituição desde o dia 10 deste mês, quando foi criado um canal de denúncias, sendo 260 delas potenciais vítimas do médium. Onze moram fora do Brasil: quatro nos Estados Unidos, três na Austrália, uma na Alemanha, uma na Bélgica, uma na Bolívia e uma na Itália. 

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