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Correio Braziliense

Maioria dos governadores assume com estados em penúria fiscal

Governadores de 26 estados tomam posse com promessas de controlar gastos públicos e investir nas áreas sociais. Maioria das unidades da Federação sofre com aumento do deficit fiscal e escalada dos gastos com pessoal


postado em 02/01/2019 06:00

A posse do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), foi marcada por ausências. Falando em
A posse do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), foi marcada por ausências. Falando em "enterrar a velha política" e distribuindo alfinetadas à ala mais tradicional do partido, o tucano não contou com as presenças dos ex-governadores Geraldo Alckmin e José Serra nem com a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. (foto: Governo do Estado de São Paulo )


Governadores de 26 estados e do Distrito Federal tomaram posse ontem. Muitos dos eleitos preferiram cerimônias de manhã para conseguir organizar a agenda e participar da posse do presidente Jair Bolsonaro. Nos discursos, os novos chefes dos Executivos estaduais reafirmaram determinação de controlar os gastos públicos e de investir nas áreas sociais.
Para colocar as contas dos estados em dia, os novos governadores prometem cortar regalias, eliminar incentivos fiscais, privatizar empresas e renegociar a dívida com a União. Os eleitos — alguns deles novatos na administração pública — assumiram estados praticamente falidos, sem capacidade de investimento e sem caixa para honrar até despesas básicas, como o combustível para viaturas de polícia e remédios para hospitais.

Nos últimos anos, as administrações estaduais viram suas contas se deteriorem perigosamente, com o aumento do deficit fiscal e a escalada dos gastos com pessoal. O orçamento público passou a ser consumido por folha de pagamento, educação e saúde, sobrando pouco para promover políticas públicas em áreas como saneamento básico, urbanismo, transportes e segurança, conforme estudo da Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado.

Com fôlego novo, os governadores eleitos querem mudar o rumo dessa história. No discurso deles, a ordem é reduzir qualquer tipo de despesas e, ao mesmo tempo, criar condições para elevar as receitas. Isso inclui melhorar o ambiente de negócios, reduzir a burocracia e atrair mais investimentos. “A meta é fazer cair mais água na caixa d’água sem elevar impostos”, diz o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

Em sua primeira experiência com a máquina pública, ele terá o desafio de devolver a estabilidade ao estado, que tem tido dificuldade até para pagar o salário dos funcionários. Zema afirma que pretende cortar 80% dos cargos comissionados e reduzir pela metade o número de secretarias.

Os eleitos se comprometem a fazer o dever de casa, mas querem que o governo federal dê um empurrão, renegociando a dívida dos estados. No caso de Goiás, que começou a escalonar o pagamento dos salários em novembro, o governador eleito Ronaldo Caiado (DEM) afirma que vai reduzir a folha de pagamento e diminuir a estrutura de secretarias. Ele diz, no entanto, que as medidas não serão suficientes para resolver a situação do estado. “Precisamos rever o regime de renegociação fiscal, que impõe regras duríssimas.”

O plano da nova equipe do governo do Rio Grande do Sul também está calcado no regime de renegociação fiscal, que a última administração não conseguiu aderir. Segundo o novo governador, Eduardo Leite, o equilíbrio fiscal do estado envolve, especialmente, a entrada no programa. Isso daria tempo para o governo tomar medidas importantes, como a redução dos gastos com pessoal, que já chega a 70% das despesas.

No Rio de Janeiro, estado com uma das piores situações, uma medida para restabelecer a saúde financeira é elevar a arrecadação criando condições para novos negócios. A ideia é combater a sonegação fiscal e a concorrência desleal.


Acre

O governador eleito Gladson Cameli (PP) e o vice, major Wherles Rocha (PSDB), tomaram posse ontem na Assembleia Legislativa. Ele convocou os deputados para um trabalho conjunto. “O tempo exige de nós visão e coragem. Não apenas para fazer o correto nesta gestão, mas também para corrigir desacertos e alinhar caminho”, frisou.

Alagoas

O governador Renan Filho (MDB) tomou posse para o segundo mandato na Assembleia Legislativa. No discurso, ele reafirmou sua disposição para o trabalho. “Estamos partindo de um ponto melhor que em 2015. Alagoas foi privilegiada pelas circunstâncias e pelo trabalho dessa equipe que participa da segunda posse. Se chegamos até aqui é porque esse é um governo insaciável na cobrança de resultados”, discursou.

Amapá

O governador reeleito do Amapá, Waldez Góes (PDT), tomou posse no estado logo após a virada do ano. Este será o quarto mandato de Góes como governador do estado. No discurso, ele se disse otimista, porém cauteloso. “Mas é um otimismo de pisar no acelerador, sobretudo a questão fiscal, inclusive com decreto pedindo uma série de providência aos meus colaboradores de contenção de despesas, diminuição de cargos de confiança e de contratos administrativos e melhorar a eficiência do estado nos gastos públicos.”

Amazonas

O governador Wilson Lima (PSC) tomou posse no fim da tarde de ontem como governador do Amazonas. A cerimônia ocorreu no Teatro Amazonas, em Manaus. Também foi empossado Carlos Almeida (PRTB) como vice-governador. “Este é nosso momento, pertence ao povo do Amazonas. Esse é um capítulo que coloca o povo como protagonista e me coloca como principal instrumento para promover mudanças”, disse Lima em seu primeiro discurso.

Bahia

O governador reeleito da Bahia, Rui Costa (PT), encerrou o discurso na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) agradecendo os votos que recebeu do povo baiano. Durante a fala, ele chorou por várias vezes ao lembrar sua trajetória de vida, desde a infância até chegar ao Palácio de Ondina, a sede do Executivo baiano. O discurso do governador foi encerrado ao gritos de “Lula Livre”.

 

Ceará

O governador reeleito do Ceará, Camilo Santana (PT), tomou posse para o segundo mandato da gestão, com a vice-governadora Maria Izolda Cela (PDT). A cerimônia foi realizada em sessão solene no Plenário 13 de Maio, da Assembleia Legislativa do estado. O evento foi conduzido pelo presidente do Poder Legislativo, deputado Zezinho Albuquerque (PDT). O horário da solenidade coincidiu com o da posse do presidente Jair Bolsonaro, e por isso, Camilo não compareceu ao evento em Brasília. Entre as autoridades que acompanharam a posse estava o ex-governador do estado Ciro Gomes (PDT). Quando anunciado o nome dele, a sessão foi tomada por fortes aplausos.

Espírito Santo

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), tomou posse na Assembleia Legislativa do estado, com a diplomação de Jacqueline Moraes como vice-governadora. Antes da posse, Casagrande afirmou, ao portal G1, que assumiu compromissos realistas. “Não fiz nenhuma promessa mirabolante. Vamos fazer investimentos de infraestrutura, bons investimentos na área social, mas dentro de uma realidade que precisa ser observada nos próximos anos”, afirmou.

Maranhão

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), foi reconduzido ao cargo que ocupou nos últimos quatro anos. Da mesma forma, Carlos Brandão (PRB) tomou posse do cargo de vice-governador. A cerimônia foi realizada na Assembleia Legislativa. Em seu discurso, ele destacou equilíbrio fiscal, honestidade e transparência, garantia dos direitos humanos e desenvolvimento econômico entre os seus principais compromissos para a segunda gestão. “Este momento tem a nota da continuidade, mas também a da mudança. Com esses compromissos, já daremos início a novos programas.”

Mato Grosso

Eleito em Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM) tomou posse em cerimônia na Assembleia Legislativa do estado. O vice-governador Otaviano Pivetta (PDT) também foi empossado. No discurso, ele apontou a desigualdade social e a qualidade do serviço público como os principais inimigos do estado.

Mato Grosso do Sul

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) tomou posse para seu segundo mandato como governador de Mato Grosso do Sul, ao lado do vice Murilo Zauith (DEM). A solenidade ocorreu na Assembleia Legislativa do estado, em Campo Grande. Antes da posse, em entrevista coletiva, Azambuja se comprometeu em reduzir o gasto público com pessoal. Segundo ele, serão adotados mecanismos para o controle da folha de pagamentos, diminuição de gastos de contratos e redução do custeio da máquina pública.

Minas Gerais

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), assumiu o cargo pregando corte de despesas, fim de mordomias e de cargos de indicação política. Ele prometeu ainda “abrir a caixa-preta das finanças do estado”. Minas passa por uma grave crise financeira, com deficit fiscal e atraso no pagamento dos salários dos servidores. “A falta de austeridade de governos anteriores levou o estado a um ponto sem volta”, afirmou Zema. Conforme cálculos do governador, o deficit fiscal pode chegar a R$ 30 bilhões este ano.

Pará

Helder Barbalho (MDB) assumiu o governo do Pará num ato conduzido pela deputada estadual Cilene Couto, uma vez que o presidente da Assembleia Estadual, Márcio Miranda, derrotado por Barbalho nas eleições, não compareceu à cerimônia. No discurso, ele disse que o estado tem pressa. Ele prometeu trabalhar para a geração de renda e emprego e por justiça social.

Paraíba

Eleito governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB) tomou posse, ontem, no Centro de Convenções de João Pessoa. Também foi empossada a vice-governadora Lígia Feliciano (PDT). “O governo que assumiu não vai inventar a roda, mas vai lubrificá-la. Faremos mais porque assim é melhor para todos”, prometeu, em discurso.


Paraná

Ao tomar posse no governo do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) disse que pretende romper com as “oligarquias” políticas que, segundo ele, comandaram o estado nos últimos 35 anos. Ex-secretário do Desenvolvimento Urbano do governo de Beto Richa (PSDB), ele afirmou que pretende colocar em ação uma nova forma de administrar o estado, mais voltado para o viés técnico. Ao tratar do enxugamento da máquina pública, citou a redução da estrutura administrativa. “Já iniciamos a reforma, diminuindo o número de secretarias de 28 para 15. Vamos avançar muito mais.” O novo governador se emocionou ao falar do pai, o apresentador de TV Carlos Roberto Massa, o Ratinho, que esteve presente na cerimônia.


Pernambuco

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), tomou posse, ontem, de seu segundo mandato à frente do estado, em cerimônia realizada na Assembleia Legislativa. Câmara esteve acompanhado de sua vice-governadora, Luciana Santos (PCdoB). “Apoiaremos decisões que beneficiem Pernambuco e o Nordeste, a exemplo das obras complementares da Transposição das águas do Rio São Francisco e da conclusão da Ferrovia Transnordestina”, discursou Câmara.

Piauí

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), tomou posse no cargo em cerimônia na Assembleia Legislativa do estado. No discurso de posse, citou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um “líder”, que foi “forte candidato” nas eleições presidenciais no ano passado. Dias afirmou, durante sua posse, que Lula “está no coração de muitas pessoas pelo que já fez pelo Piauí e pelo Brasil.” Ele ressaltou, no entanto, que vai procurar o diálogo com o presidente Jair Bolsonaro para conseguir entregar um Piauí com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) melhor que o atual. Dias ocupa o quarto mandato à frente do Piauí.

Rio Grande do Norte

Eleita governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) tomou posse, ontem, em cerimônia na Assembleia Legislativa do estado. Ela é única mulher eleita governadora nesta eleição. “Sabemos que o legado que estamos recebendo é dramático. Basta falarmos da crise fiscal. Estamos herdando uma dívida da ordem de R$ 2,6 bilhões, três folhas de pagamento do funcionalismo público atrasadas, dívidas com fornecedores de áreas essenciais do governo”, discursou.

Rio Grande do Sul

O governador eleito do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), tomou posse do cargo, com o vice-governador Delegado Ranolfo (PTB). A cerimônia foi realizada na Assembleia Legislativa do estado. Em seu primeiro discurso, Leite pediu consenso entre setores da sociedade e falou sobre a construção de um “novo estado”. O discurso de união dirige-se à grave crise financeira que atinge o Rio Grande do Sul, com dívidas de aproximadamente R$ 100 bilhões. “É hora de romper com uma polarização inútil de ideologização das pautas. Fazer o estado é uma obra coletiva e, por isso, exige sacrifícios coletivos”, disse Leite, que, aos 33 anos, é o governador mais jovem do país.


Rondônia

O coronel Marcos Rocha (PSL) tomou posse com seu vice, José Jodan (PSL), no teatro Palácio das Artes, sede da Assembleia Legislativa do estado. Ele destacou o foco da gestão na geração de emprego e renda e atendimento da população carente. “Buscamos todas as autoridades engrenadas nessa grande máquina para atender o povo, para fazer chegar a todas as pessoas os serviços básicos do estado”, afirmou.

Roraima

Antonio Denarium (PSL) tomou posse como governador de Roraima. Ele já havia assumido o comando do estado há três semanas, como interventor nomeado pelo então presidente Michel Temer. A solenidade foi na Assembleia Legislativa. Além dele, tomaram posse o vice-governador, Frutuoso Lins (PTC), e os 23 deputados estaduais.

Santa Catarina

O bombeiro conhecido como comandante Carlos Moisés tomou posse como governador de Santa Catarina. A cerimônia foi realizada na Assembleia Legislativa. Em entrevista coletiva antes da cerimônia, Moisés explicou que pretende detalhar seu plano para os 100 primeiros dias de governo.

Sergipe

Reeleito governador de Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD) tomou posse de seu segundo mandato em cerimônia na Assembleia Legislativa do estado. Também foi empossada a vice-governadora, Eliane Aquino. Após o evento, Chagas passou em revista às tropas da Polícia Militar. Em entrevista antes da posse, ele  disse que o estado tem um deficit de R$ 400 milhões e que 2019 será um ano extremamente
difícil, mas que a prioridade dele será o equilíbrio das contas do estado.

Tocantins

O governador reeleito Mauro Carlesse (PHS) tomou posse na Assembleia Legislativa estadual. No discurso, pediu ao povo que não perca a esperança e que o estado tem tudo para ser desenvolvido. “Nós vamos pegar firme, trabalhar. Vai ter muito emprego, se Deus nos abençoar, vai ter uma saúde com melhor qualidade”, disse.

São Paulo

A posse do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), foi marcada por ausências. Falando em “enterrar a velha política” e distribuindo alfinetadas à ala mais tradicional do partido, o tucano não contou com as presenças dos ex-governadores Geraldo Alckmin e José Serra nem com a do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Rio de Janeiro

O governador eleito, Wilson Witzel, tomou posse no Palácio Tiradentes. Em seu discurso, ele invocou a bênção de Deus e relembrou promessas de campanha, como o combate à violência e à corrupção. “Temos compromisso de não deixar apagar essa chama de esperança de dias melhores para o nosso estado”, afirmou.


Goiás

O ex-senador Ronaldo Caiado (DEM), eleito governador de Goiás, tomou posse na Assembleia Legislativa. No discurso, prometeu sepultar a “velha política”. “Tolerância zero com a corrupção, valorizar os servidores e combater as desigualdades. Temos que chegar a 50% das escolas em tempo integral e valorizar os professores.”

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