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Correio Braziliense

João de Deus vira réu em mais um processo criminal por abuso sexual

Com a decisão, João de Deus passa à condição de réu em dois processos criminais


postado em 16/01/2019 17:24 / atualizado em 16/01/2019 18:00

(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, virou réu em mais um processo criminal. O pedido do Ministério Público foi acatado nesta quarta-feira (16/01) pela Justiça de Abadiânia (GO). Há um mês preso, o médium foi denunciado nesta terça-feira (15/01) por novos crimes de estupro de vulnerável e abuso sexual mediante fraude durante atendimentos espirituais que realizava na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia. O Ministério Público ainda expediu um novo pedido de prisão contra ele. De acordo com a promotoria, a nova denúncia é baseada na apuração de 13 supostos casos, sendo que oito prescreveram, mas auxiliarão como testemunhas no processo. O médium nega os abusos.

Além das cinco vítimas (quatro mulheres de Goiás e uma de São Paulo), a denúncia conta com relatos de mais oito mulheres do Distrito Federal, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão e Rio Grande do Sul.  Segundo o MP-GO, uma das vítimas foi abusada quando ainda criança e outras na adolescência.

O pedido de habeas corpus feito pela defesa do médium João de Deus, também foi negado ontem pela Justiça de Goiás. Durante o julgamento, o juiz substituto Sival Guerra Pires ressaltou que João de Deus deve continuar preso no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, pelo "contexto de gravidade" dos elementos probatórios, os quais indicam uma grande quantidade de crimes por longo período. A promotoria ressalta que a decisão tem como objetivo a preservação das vítimas de eventuais represálias "físicas e espirituais".

Na última segunda-feira, o médium foi ouvido por quatro horas no Núcleo de Custódia de Aparecida de Goiânia. Promotores do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) foram ao local para questioná-lo sobre denúncias feitas por mulheres de Goiás, Distrito Federal e São Paulo.

Na quarta (9/01) João de Deus virou réu por violação sexual e estupro de vulnerável depois que a juíza Rosângela Rodrigues dos Santos, da Comarca de Abadiânia, aceitou uma denúncia que o acusa de ter cometido os crimes contra quatro vítimas. Também na semana passada, a Polícia Civil de Goiás indiciou o médium e sua mulher, Ana Keyla Teixeira, por posse ilegal de armas. O médium teve ainda R$ 50 milhões bloqueados pela Justiça. A medida visa garantir o ressarcimento de possíveis danos morais coletivos e danos individuais sofridos pelas vítimas, caso seja condenado.

Após passar mal na cadeia no último dia 2, o médium chegou a ser encaminhado ao hospital e um dia depois recebeu alta, voltando ao Núcleo de Custódia, no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia (GO).

O advogado de defesa, Alberto Zacharias Toron, afirmou nesta terça-feira (15/01) que João de Deus se encontra debilitado. “Chega a ser medonho o que os membros do MP estão fazendo no caso João de Deus. Não nos dão vista de nada, marcam interrogatório um dia antes no próprio MP, a defesa é obrigada a ler tudo em 20 minutos antes do interrogatório. Ele é ouvido e a denúncia (que já estava pronta) é protocolada na manhã seguinte. É a antítese do que deve ser um processo no Estado democrático de Direito”, afirmou por nota.

João de Deus está preso preventivamente desde o dia 16 de dezembro em razão da acusação de estupros em série durante atendimentos espirituais na cidade de Abadiânia, no entorno do Distrito Federal. Em operações em endereços ligados a ele foram encontradas armas, pedras preciosas e mais de R$ 1,6 milhão. Segundo promotores de Goiás, o Ministério Público já recebeu 688 contatos sobre o médium, dos quais foram identificadas 300 vítimas.

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