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Correio Braziliense

Onda de violência no Ceará: criminosos atacam creches e escolas

Persistência dos ataques, apesar do reforço do policiamento em Fortaleza e outras cidades do estado, deixa a população amedrontada


postado em 23/01/2019 06:00 / atualizado em 23/01/2019 11:15

Escola municipal incendiada em Itarema: atos comandados por facções criminosas alcançaram 48 cidades(foto: Prefeitura de Itarema/Facebook)
Escola municipal incendiada em Itarema: atos comandados por facções criminosas alcançaram 48 cidades (foto: Prefeitura de Itarema/Facebook)

Na escalada de terror que atinge o Ceará, creches e escolas entraram na lista de alvos dos bandidos. Ontem, seis homens incendiaram uma escola na cidade de Quixadá, durante a madrugada. Eles invadiram o prédio, renderam o vigia e atearam fogo a duas salas de aula e à cantina. Entre os danos estão carteiras, geladeira, fogão, mesas, liquidificador e armário. Essa é a terceira investida dos criminosos contra escolas e creches. A persistência dos ataques, apesar do reforço do policiamento em Fortaleza e outras cidades do estado, deixa a população amedrontada.

“Vivemos e trabalhamos com medo de ataques surpresa. Ficamos apreensivos sobre qual será o próximo ônibus, prédio ou veículo incendiado. Apesar de ter aumentado o policiamento nas ruas, a sensação é de insegurança. Moro aqui há 34 anos e nunca vi nada parecido”, disse o farmacêutico Raimundo Nonato Feijó, 36, que trabalha no bairro Caucaia, na capital, onde uma creche foi incendiada na noite de segunda-feira. As chamas atingiram uma sala de aula, destruindo o mobiliário e parte do material de ensino das crianças.

Entre domingo e segunda-feira, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Geralda Bonifácio Rodrigues, em Saquim, e a Escola Liceu José Maria Monteiro, no distrito de Almofala, foram incendiadas em Itarema, no litoral oeste do estado. Na primeira, o estrago foi debelado por intervenção dos moradores. Já na segunda, carteiras e materiais escolares foram destruídos. Ontem, na Vila Pery, criminosos ainda detonaram uma bomba em uma subestação da Enel, distribuidora de energia do Ceará, mas não houve danos estruturais.

Em mais de 20 dias da onda de violência, 48 cidades sofreram mais de 220 ataques a ônibus e prédios públicos. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, 412 suspeitos foram presos e apreendidos por envolvimento nos atos criminosos. Segundo a pasta, o policiamento ostensivo permanece reforçado. Até o fechamento desta edição, 39 chefes de facções criminosas foram transferidos para presídios federais.

A sucessão de ataques é atribuída a grupos como o Comando Vermelho (CV) e os Guardiões do Estado (GDE), e seria motivada pelo anúncio do secretário de Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, de endurecimento das regras no sistema prisional do estado, como a retirada de tomadas das prisões.

Na semana passada, em reunião em Brasília, o governador do Ceará, Camilo Santana (PT), pediu ajuda ao ministro da Justiça, Sérgio Moro, para reforçar o número de agentes penitenciários do estado. Mais de 400 homens e mulheres da Força Nacional estão no território. O Ministério da Justiça também confirmou o envio de um reforço de 355 agentes da Polícia Rodoviária Federal.

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