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Correio Braziliense

Rompimento de barragem em Brumadinho causa morte de peixes no rio Paraopeba

Bacia do rio cobre 48 cidades de Minas Gerais; somadas, populações dos municípios ultrapassam 1,3 milhão de pessoas


postado em 26/01/2019 10:08


Os primeiros reflexos do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, já são percebidos no Rio Paraopeba. A lama acumulada passou a “represar” a água do rio, que ficou escassa e baixou de nível em determinadas partes do curso a partir das 12h desta sexta-feira. Com isso, peixes começaram a morrer.

"Surubim, dourado, tambaqui, mandi. Aqui a gente pega muito peixe. Com esse barro já era", contou morador de Mario Campo, Adair Ferreira Gonçalves, de 30 anos. 

Segundo relatos de moradores de Brumadinho à reportagem (veja no vídeo acima), o nível da água baixou até 2 metros. “Tem muitos peixes morrendo na beirada, porque não tem água para eles mais. Dá para ver de longe. É muito peixe perdendo. É muito triste a situação”, lamenta Marcos Vinicius Santana.

Os peixes mais encontrados nos 546,5 km de extensão rio são corvinas, curimbatás, surubins e dourados. Existe a preocupação de que outras partes do Paraopeba, além da que corta Brumadinho, também sofram com os reflexos da tragédia - seja em função da lama, seja por conta de uma eventual contaminação da água com rejeitos de minério da barragem da Vale.

Acúmulo de lama no Rio Paraopeba já provoca morte de peixes na região de Brumadinho(foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)
Acúmulo de lama no Rio Paraopeba já provoca morte de peixes na região de Brumadinho (foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)


A bacia do Paraopeba cobre 48 cidades de Minas Gerais (veja a lista completa ao fim da matéria). Somadas, as populações desses municípios ultrapassam 1,3 milhão de habitantes, segundo dados do Censo Demográfico de 2010. Estima-se que esse número aumentou ao longo dos últimos nove anos.

O Paraopeba tem área de 12.054,25 km², que corresponde a 5,14% do território da bacia do rio São Francisco. Existe, portanto, a preocupação de que os rejeitos possam atingir até mesmo o mar.

A nascente está localizada em Cristiano Otoni, Mesorregião Metropolitana de BH, e tem foz na represa de Três Marias, no município de Felixlândia, na Região Central de Minas Gerais. Os principais rios da bacia são o Paraopeba, o Águas Claras, o Macaúbas, o Betim, o Camapuã e o Manso.

Sem água em função da lama, peixes começam a morrer ao longo do Rio Paraopeba(foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)
Sem água em função da lama, peixes começam a morrer ao longo do Rio Paraopeba (foto: Renan Damasceno/EM/D.A Press)


Cidades pelas quais o Paraopeba passa: Belo Vale; Betim; Bonfim; Brumadinho; Cachoeira da Prata; Caetanópolis; Casa Grande; Congonhas; Conselheiro Lafaiete; Contagem; Cristiano Otoni; Crucilândia; Curvelo; Desterro de Entre Rios; Entre Rios de Minas; Esmeraldas; Felixlândia; Florestal; Fortuna de Minas; Ibirité; Igarapé; Inhaúma; Itatiaiuçu; Itaúna; Itaverava; Jeceaba; Juatuba; Lagoa Dourada; Maravilhas; Mario Campos; Mateus Leme; Moeda; Ouro Branco; Ouro Preto; Papagaios; Pará de Minas; Paraopeba; Pequi; Piedade dos Gerais; Pompéu; Queluzito; Resende Costa; Rio Manso; São Brás do Suaçuí; São Joaquim de Bicas; São José da Varginha; Sarzedo; Sete Lagoas.

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