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Correio Braziliense

Ações da Vale tendem ser fortemente afetadas pelo acidente em Brumadinho

Em comunicado divulgado à 0h16 de hoje, empresa afirma que suspendeu política de remuneração dos acionistas. Para analistas, negociações devem refletir queda no mercado internacional e decisões contra a mineradora que ocorreram no fim de semana


postado em 28/01/2019 06:10 / atualizado em 28/01/2019 06:53

Ver galeria . 83 Fotos Corpo de Bombeiros/Divulgação
(foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação )

O dia promete ser negativo  para as ações da Vale na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Após a tragédia ocorrida em Brumadinho (MG), envolvendo a barragem da Vale, a empresa — uma das mais negociadas no mercado de capitais — deve sofrer novamente com a reação dos investidores. Na sexta-feira, feriado em São Paulo, o mercado não funcionou.

Em nota divulgada às 0h16 de hoje, a Vale informou que o conselho de administração da empresa, em reunião extraordinária, decidiu suspender a política de remuneração aos acionistas “e, consequentemente, o não pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio, bem como qualquer outra deliberação sobre recompra de ações de sua própria emissão”. A companhia também interrompeu o pagamento de remuneração variável aos executivos. 

A Vale criou dois comitês independentes, “coordenados e compostos por maioria de membros externos, independentes, de reputação ilibada e com experiência nos temas”. O primeiro será dedicado para a assistências às vítimas e recuperação da área atingida. O segundo, à apuração das causas e responsabilidades pelo rompimento da barragem. 

Até agora, R$ 11 bilhões já foram bloqueados na conta da companhia e ela deverá enfrentar barreiras para ampliar operações, além de ter os trabalhos suspensos na região do rompimento. Os agentes econômicos também estão atentos para efeitos negativos no setor de mineração e em outras áreas afetadas.

Em 2015, quando ocorreu a tragédia de Mariana, também em Minas, as ações ordinárias da Vale caíram durante seis dias. 

Segundo analistas, por ser reincidente, os efeitos podem ser maiores agora. É o segundo evento desastroso com pouco mais de três anos de intervalo, o que coloca a credibilidade da empresa ainda mais em xeque, como explicou o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira.

“Após o evento de Mariana, se tratou muito da cautela que estava sendo adotada na empresa para evitar novos acidentes. Essa imagem foi passada para o mercado. Após essa nova tragédia, o mercado vai esperar ocorrer mais uma?”, indagou o economista.

De um lado, a Vale é considerada uma empresa robusta, com valor de mercado avaliado em mais de R$ 290 bilhões, sendo a terceira maior companhia de capital aberto do país. Por outro lado, a reincidência da tragédia e a provável constatação de negligência pelas autoridades faz com que ela tenha dificuldades para obter concessão de licenças ambientais e operacionais. Além disso, a intenção da empresa de reiniciar as atividades na Samarco deve ser adiada pelas autoridades responsáveis.

O mercado internacional já reagiu negativamente no exterior. Os American Depositary Receipts (ADRs), papéis da empresa na Bolsa de Nova York, caíram 8% na última sexta-feira. A situação da empresa piorou no fim de semana após as sanções da Justiça, que bloqueou R$ 11 bilhões na conta da Vale.


Advertência


A agência de risco S&P colocou a Vale como nota de “Creditwatch”, que é de observação. “Os passivos ambientais e sociais da Vale podem ser substanciais, especialmente considerando que tal incidente aconteceu antes”, informou. “Suas obrigações financeiras para remediar e compensar as perdas podem ser substanciais, e a empresa teria que enfrentar estudos longos e complexos de entidades ambientais e órgãos reguladores que poderiam terminar na suspensão de licenças”, completou.

O economista-chefe da DMI Group, Daniel Xavier, afirmou que a direção que o mercado vai tomar é mais do que clara. “Vai para baixo, tendendo a imitar o movimento que as ADRs mostraram na última sexta-feira. Uma queda um pouco abaixo de 10% que foi muito relevante”, disse. “Além disso, tem que levar em conta que a economia chinesa está esfriando”, destacou.

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