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Correio Braziliense

'Não seria bom para o mercado', diz Onyx sobre afastar diretoria da Vale

Onyx ressaltou ainda que o governo deve esperar o fim das investigações para definir um posicionamento final acerca da empresa


postado em 29/01/2019 13:36 / atualizado em 29/01/2019 13:47

(foto: Evaristo Sa/AFP)
(foto: Evaristo Sa/AFP)
O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, afirmou nesta terça-feira (29/1), que o governo não vai interferir na diretoria da Vale, mesmo depois do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, Minas Gerais, porque não seria uma "boa sinalização" para o mercado. Ele ressaltou ainda que o governo federal, acionista da empresa, detém na Vale a Golden Share e, por isso, não pode interferir diretamente na gestão.

"Não há condição de haver qualquer grau de interferência. Não seria uma boa sinalização para o mercado", disse Onyx,  em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, após reunião ministerial comandada pelo presidente em exercício, Hamilton Mourão.  "É preciso ter prudência para saber que o que está em jogo, além da vida das famílias, é um setor econômico muito relevante para o pais. É preciso ter equilíbrio", defendeu. 

Onyx ressaltou ainda que o governo deve esperar o fim das investigações para definir um posicionamento final acerca da empresa. "Temos que aguardar o andamento das investigações. Não cabe ao governo federal apoiar nenhuma empresa ou diretoria de qualquer empresa que não seja de sua absoluta responsabilidade", afirmou. 

Para o ministro, o governo deve ter a humildade de saber que não pode interferir em tudo. "Governo tem que ter humildade para saber que não pode tudo e prudência, especialmente em um setor econômico que é muito relevante para o nosso país. Tem que haver algo muito importante, que é equilíbrio", disse Onyx.

Ontem, entretanto, Mourão não descartou uma pressão por parte do governo federal para afastar os diretores da Vale após o rompimento da barragem de Brumadinho, que ocorreu na última sexta-feira (25/1). Até o momento, segundo a Defesa Civil, já foram registrados 65 mortes, 31 corpos identificados e ainda há 288 pessoas desaparecidas.  

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(foto: EM/D.A Press )

Fiscalização das barragens


governo federal vai priorizar a fiscalização de 3.386 barragens que estão classificadas com dano potencial associado alto ou risco alto em todo o país. No entanto, não soube dar um prazo certo para a conclusão da medida. Desse total, 205 são de rejeitos minerais e 70 delas fazem o modelo a montante, e devem ser as primeiras a serem fiscalizadas. A técnica “a montante” era a utilizada tanto no reservatório de Brumadinho, como na barragem de Fundão da Samarco, em Mariana, que rompeu em 2015. 

A Vale também se comprometeu a desativar todas as barragens da empresa que são "a montantes", segundo o ministro de Minas e Energia, Almirante Bento. Ele, contudo, não soube dizer quantas barragens seriam. O ministro, que já tinha uma reunião marcada com representantes da Vale para esta tarde, à 16h30, disse que tratará do assunto. 

"Recebi a informação do governo de Minas Gerais de que a empresa Vale já se comprometeu a desativar todas as barragens que se encontrar como a montantes", explicou. "Já tínhamos a reunião marcadad, mas certamente não será tratado o mesmo assunto. Depois do encontro, terei os números atualizados", disse Almirante. 

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(foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação )

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