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Correio Braziliense

Ao menos 30% das notícias mais divulgadas de Brumadinho eram falsas

De acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a maioria dos conteúdos fakes tinham como objetivo a obtenção de melhores índices de audiência


postado em 04/02/2019 19:15

Em 2011, operário caiu em uma cisterna de 17 metros e foi salvo por um militar da 4ª Companhia de Patos de Minas. A imagem viralizou na internet como se fosse de Brumadinho(foto: Aislan Henrique/Divulgação/Corpo de Bombeiros)
Em 2011, operário caiu em uma cisterna de 17 metros e foi salvo por um militar da 4ª Companhia de Patos de Minas. A imagem viralizou na internet como se fosse de Brumadinho (foto: Aislan Henrique/Divulgação/Corpo de Bombeiros)
 
Pelo menos 30% das notícias mais divulgadas sobre a tragédia de Brumadinho na última semana eram falsas ou incorretas, segundo um estudo da Diretoria de Análises de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Diferentemente do que ocorre num contexto eleitoral - em que as fake news teriam por objetivo trazer vantagens para determinados grupos políticos -, no caso da tragédia, a meta é atrair cliques. Essas notícias falsas são divulgadas mesmo a custo da propagação de mentiras ou desinformação.

"A notícia sensacionalista, de aspecto emocional, gera clique", resume o pesquisador Lucas Calil, da DAPP/FGV. "Quanto mais emocionais elas são, maior o engajamento." Mesmo assim, segundo o pesquisador, sempre pode existir um interesse político subjacente. "Sempre pode interessar a um grupo político acelerar a investigação sobre as causas da tragédia, por exemplo", afirmou. "Nesse caso específico, há centenas de forças envolvidas, as mineradoras, o governo do Estado, o governo federal, os governos anteriores."

O levantamento foi feito a partir de todos os links sobre o rompimento da barragem compartilhados no Facebook das 12h de sexta-feira (25/1), até as 12h da sexta-feira seguinte, dia 1º de fevereiro. Os pesquisadores destacaram, então, os 100 links com maior volume de interações (um total de 26,9 milhões de comentários, compartilhamentos e reações). Eles foram analisados mais a fundo. Nada menos que 30 deles apresentaram recursos de desinformação.

Segundo o estudo, a maior parte dos links de maior alcance de desinformação é de aspecto emocional. Ou seja, os conteúdos mostram imagens de resgate de pessoas e, principalmente, de animais que, na verdade, não tem veracidade comprovada. Um dos vídeos mais divulgados, segundo o levantamento, atribuído a um salvamento dos militares israelenses, ocorreu, na verdade, na guerra da Síria.

Outro levantamento feito pela FGV nos primeiros dias depois da tragédia revelou uma grande mobilização no Twitter. Entre as 12h de sexta-feira (25/1), dia do rompimento, até as 12h de segunda-feira (28/1), foram 3,95 milhões de menções na rede social. Nesse caso, a maior parte das postagens, cerca de 110 mil, era em solidariedade às vítimas e pedidos de ajuda.

Cerca de 600 mil postagens (15% do debate) faziam algum tipo de referência à Vale, a empresa responsável pela barragem. A maior parte ataca a mineradora por suposta negligência em relação às causas do desastre e ao atendimento das vítimas.
 
Outras postagens cobram a identificação dos responsáveis e providências judiciais imediatas contra a empresa. A fiscalização ambiental também foi um tema abordado, com 195 mil menções (5%).

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