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Correio Braziliense

Vale deu remédio vencido para animais resgatados em Brumadinho, diz Ibama

Coordenadora do Ibama, Fernanda Pirillo, denuncia negligência da mineradora com bichos retirados da lama e com indígenas que moram na região


postado em 14/02/2019 13:45 / atualizado em 14/02/2019 17:38

O boi denominado 'Resistência' sobreviveu ao rompimento da barragem da Vale e recebe cuidados em fazenda próxima a Brumadinho(foto: Gladyston Rodrigues/Estado de Minas)
O boi denominado 'Resistência' sobreviveu ao rompimento da barragem da Vale e recebe cuidados em fazenda próxima a Brumadinho (foto: Gladyston Rodrigues/Estado de Minas)
A Vale negligenciou o atendimento de índios do entorno de Brumadinho (MG) e dos animais resgatados da lama. A denúncia foi feita nesta quinta-feira (14/2) pela coordenadora de Emergências Ambientais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fernanda Pirillo, durante audiência na comissão externa da Câmara de Deputados para apurar o rompimento da barragem do Córrego do Feijão.

"Temos feito vistorias diversas nas áreas que a Vale está implementando para o recebimento de animais e temos verificado a validade de medicamentos. Por incrível que pareça, nos primeiros dias, a Vale tinha providenciado medicamentos vencidos", afirmou.

Indígenas desassistidos

Fernanda também disse que o Ibama está controlando de perto o que vem sendo feito com os indígenas de uma aldeia da etnia pataxó, nas proximidades de Brumadinho. "Eles estavam desassistidos. O Ibama chegou ao local, exigiu providências da empresa e solicitou a retirada dos peixes mortos que estavam na aldeia, com nove mulheres grávidas e um bebê recém-nascido. Os índios estavam tirando os peixes mortos com as mãos”, ressaltou.

Ver galeria . 16 Fotos Mauro Pimentel/AFP
(foto: Mauro Pimentel/AFP )


Segundo a coordenadora, o Ibama está fazendo vistorias diárias. "Temos mais de 60 relatórios e estamos com uma média de 20 servidores por dia em campo", destacou. O órgão ambiental está redirecionando o resgate de fauna, em um trabalho integrado com o Ministério Público e órgãos ambientais estaduais. “Não só dos animais que foram impactados pela lama, como também dos que ficaram presos nas casas e nas instalações que foram abandonadas. E também daqueles que não haviam sido impactados, mas passaram a ser porque costumam buscar água nessas áreas e ficaram atolados”, acrescentou.

Ânimos exaltados

Presente na sessão, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, afirmou mais cedo que a empresa tomou medidas para intensificar a segurança de suas barragens. Para isso, contratou o órgão norte-americano de licenciamento US Army Corps of Engineers.

Após as apresentações dos integrantes da mesa da comissão, os deputados passaram a fazer perguntas para os membros da mesa, a maioria delas dirigidas a Schvartsman. Os ânimos ficaram bastante exaltados. Alguns parlamentares chamaram a empresa de "assassina" e outros lamentaram ter de encarar a "cara deslavada" do presidente da Vale, ao dizer que a companhia é uma joia brasileira
 

Defesa 

Em nota, a Vale diz ter recebido medicamentos veterinários em doações vindas de vários lugares do país e que teria descartado os protudos que estavam com a validade vencida. Segundo a empresa, nenhum animal foi tratado com medicamentos vencidos.

 

Leia a resposta na íntegra: 

 

"A Vale informa que na primeira semana após o rompimento da Barragem I, em Brumadinho, os postos de atendimento receberam doações de medicamentos veterinários vindas de vários locais do país. Esses medicamentos passaram por triagem nos locais de atendimento. Os produtos que se encontravam com validade vencida foram descartados. A Vale ressalta que nenhum animal foi tratado com medicação vencida."

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