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Correio Braziliense

Artigo: O passado como lição


postado em 15/02/2019 06:02 / atualizado em 15/02/2019 17:24

(foto: Paulo Filgueiras/Estado de Minas)
(foto: Paulo Filgueiras/Estado de Minas)
 
A tragédia do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho completa três semanas hoje (15/2). Tanta notícia ruim surgiu depois deixa a impressão em muita gente de que esse fato ocorreu há bem mais tempo. Corpos de vítimas ainda são procurados no mar de lama de rejeitos de minério. Até agora, são 166 mortes confirmadas e 147 desaparecidos. As investigações, no entanto, avançam, mostrando várias falhas e culpados.

Para os integrantes da força-tarefa do Ministério Público de Minas Gerais que apura o caso, é cada vez mais provável que os responsáveis pelo local sejam denunciados por homicídio — somente ao término do trabalho será possível saber se culposo ou doloso, e a quem será imputado o crime. “O que se sabe é que havia risco acima do padrão aceitável (para o rompimento da barragem). Há indícios claros de que a Vale sabia que os riscos estavam aumentando”, afirmou o promotor André Sperling.

Documentos internos da Vale, datados de outubro de 2018, faziam projeções sobre um eventual rompimento da barragem do Feijão, em Brumadinho. Os números de mortos seriam mais de 100, a previsão de causa (liquefação ou erosão) e o prejuízo previsto (US$ 1,5 bilhão). Oficialmente, a mineradora afirma se tratar de estudo com cenários hipotéticos para danos e perdas, sem significar que a estrutura estava em risco, mas para integrantes da força-tarefa do MP mineiro é muito mais do que isso. Indica que medidas deveriam ter sido adotadas, o que acabou não ocorrendo. E o pior: há outras barragens que representam perigo.

Uma das matérias mais lidas esta semana no site do Correio Braziliense mostra como ficaria a situação em Congonhas (MG) em caso de rompimento das barragens locais. São 24 no total, e 54% delas têm dano potencial associado considerado alto. Os cenários estudados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente apontam uma paisagem desoladora no município de 54 mil habitantes, distante 89km de Belo Horizonte. A cidade histórica, que abriga os profetas do mestre Aleijadinho, seria praticamente varrida do mapa em qualquer situação. E não para por aí. Povoados até mesmo de outros municípios seriam drasticamente afetados.

Analisar os riscos faz parte do trabalho de qualquer empresa ou governo. Colocar em prática ações para minimizá-los é um passo adiante e merece atenção especial. Há registro de 20 acidentes com barragens no mundo, sendo sete deles no Brasil. Todos em Minas Gerais. O caso mais antigo foi a mina de Fernandinho, em 1987, quando sete pessoas morreram. Em um intervalo de 32 anos, as tragédias se tornaram recorrentes. Muito pouco foi aprendido com o rompimento da barragem de Mariana, em novembro de 2015. Quais lições serão tiradas de Brumadinho? Uma delas é que a prevenção deve estar em primeiro lugar.
 
 

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