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Correio Braziliense

Zema diz que evacuações foram 'além do recomendável' e defende mineração

O governador de Minas disse que pediu uma reunião com o ministro de Minas e Energia para ver o que pode ser feito para não inviabilizar atividade no estado


postado em 18/02/2019 13:05

Zema manifestou preocupação com a retirada de moradores de suas casas no estado (foto: Juarez Rodrigues / EM / D.A.Press )
Zema manifestou preocupação com a retirada de moradores de suas casas no estado (foto: Juarez Rodrigues / EM / D.A.Press )

O governador Romeu Zema (Novo) afirmou, na manhã desta segunda-feira (18/2), que vai pedir a revisão da das regras para classificação das barragens, diante das evacuações ocorridas em três cidades de Minas Gerais nos últimos dias. Se a legislação continuar da forma atual, para ele, o estado pode ter dezenas de cidades tendo pessoas retiradas de suas casas nos próximos meses e “seria extremamente danoso para a atividade da mineração".  

“Ninguém pode ficar exposto a riscos, mas parece que estamos assistindo, num momento em que todos estão com as emoções afloradas, a uma reação que seria além do recomendável. Não é fácil lidar com um problema desse porque não podemos expor ninguém a risco, mas também não podemos parar uma atividade tão relevante para o estado”, afirmou. 

Zema ainda disse que pediu uma reunião com o ministro das Minas e Energia Bento Albuquerque para ver “o que pode ser feito” para “evitar a desestruturação total do setor”. Ainda nesta segunda-feira, o governador disse que conversará com o presidente da Fiemg Flávio Roscoe sobre o assunto. 

Batata quente


De acordo com o governador, depois do desastre em Brumadinho, nenhum engenheiro quer atestar a segurança das barragens no estado. "Chegamos a um ponto em que ninguém quer ficar com a batata quente na mão por uma questão muito séria: se ficar, amanhã se algo acontecer essa pessoa está com um seríssimo problema perante a Justiça, até de ordem criminal e dolosa.”

O governador lembrou que a barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, estava desativada quando se rompeu e reafirmou que isso mostra que é preciso rever as regras. "É uma situação extremamente angustiante para nós mineiros, porque a continuar do jeito que está não vai demorar muito e vamos ter praticamente todas as barragens do estado consideradas de risco. Segundo Zema vai ser preciso encontrar uma solução que concilie a segurança com a viabilidade da atividade minerária.

Zema ainda não havia se manifestado sobre a situação dos municípios que tiveram moradores retirados de suas casas, que ocorreu após o desastre com a barragem da Vale em Brumadinho tirar pelo menos 166 vidas e deixar mais de 140 desaparecidos. Somente neste sábado, cerca de 200 pessoas tiveram que deixar Macacos, distrito  de Nova Lima, por causa da elevação do risco de uma barragem da Vale. No último dia 8 de fevereiro, também houve evacuação de moradores de Itatiaiuçu e Barão de Cocais, por causa de mineradoras da Arcelor e Vale.

Na semana passada, Zema havia se referido ao desastre de Brumadinho como um "incidente" e defendido que as vítimas aceitassem o acordo proposto pela Vale. Para o governador, a companhia está fazendo todo o possível para minimizar os danos do ocorrido. 

Na manhã desta segunda-feira, o governador participou de cerimônia com o ministro da saúde Henrique Mandetta na Cidade Administrativa. A pasta anunciou o repasse de mais R$ 196 milhões para investimentos em atenção hospitalar, vigilância e atendimento em saúde mental para Minas Gerais. 

Enquanto o governo de Minas divulgou informativo dizendo que Zema conseguiu a verba extra, a bancada de deputados federais de Minas disse que a captação dos recursos foi por atuação dos parlamentares, que prestigiaram a solenidade.

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