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Correio Braziliense

Moradores de Nova Lima protestam contra Vale e fecham entrada da mineradora

Manifestação começou na manhã desta quarta-feira. Mais de 100 pessoas tiveram que sair de casa no último sábado após alerta de estabilidade de barragem


postado em 20/02/2019 08:24 / atualizado em 20/02/2019 08:29

Entrada da Vale em Macacos foi fechada por manifestantes(foto: Leandro Couri/Estado de Minas)
Entrada da Vale em Macacos foi fechada por manifestantes (foto: Leandro Couri/Estado de Minas)

Cerca de 70 moradores e comerciantes de São Sebastião das Águas Claras, distrito de Nova Lima conhecido como Macacos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), fazem uma manifestação contra a situação vivida pela população local desde o último sábado, quando houve a necessidade de evacuação de pessoas de suas casas pelo risco de rompimento da barragem B3/B4, da mineradora Vale. Os manifestantes ocupam, na manhã desta quarta-feira (20/2), a portaria da Mina Mar Azul, da Vale, e exigem que a empresa tome medidas para resolver a falta de segurança do reservatório de rejeitos e permita o retorno de quem está fora de casa.

Há uma preocupação especial de mães de alunos da Escola Municipal Rubem Costa, que não querem que os filhos voltem às aulas pelo risco de rompimento da barragem. Os manifestantes impedem a entrada de trabalhadores da Vale na mina e são acompanhados de perto de um forte aparato policial. O grupo também questiona a ausência da Prefeitura de Nova Lima em todo o processo de evacuação das famílias da chamada zona de autossalvamento, área que pode ser atingida em caso de rompimento de barragem.
 
A arquiteta Vera Lúcia Rodrigues, de 32 anos, é uma das pessoas que participa do protesto e pede uma ação da mineradora para tornar a escola e a creche mais seguras. “Não queremos que nossos filhos corram riscos e precisamos também da Prefeitura de Nova Lima para nos dar apoio, o que não está acontecendo”, diz ela.



A professora Vânia Grigorio, de 44 anos, diz que não existe treinamento de evacuação em caso de rompimento e que a escola precisa mudar de local. “Precisamos que a Vale nos dê garantias de segurança e explicações”, afirma. O comerciante Weder Vilela, de 45, questiona a empresa sobre o clima de angústia e desespero que tomou conta de Macacos. “As crianças estão assustadas, a sirene deixou todo mundo apavorado. Queremos saber até quando vai durar essa situação”, diz ele.

Os manifestantes chamam a Vale de assassina e carregam cartazes com dizeres diversos contra a empresa. Um ônibus com funcionários da empresa foi impedido de passar e os trabalhadores aguardam dentro do coletivo. 

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