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Correio Braziliense

PF prende envolvidos em extração ilegal de quartzito na Serra da Canastra

Mais de 100 mandados são cumpridos em Minas e São Paulo. Segundo as investigações, investigados chegaram a usar explosivos e provocar incêndios para retirar pedras da área protegida


postado em 20/02/2019 08:52

Segundo a Polícia Federal, alguns dos envolvidos chegaram a atear fogo no parque para facilitar a extração ilegal das pedras(foto: Parque Nacional da Serra da Canastra/ICMBio - 10/01/2016 )
Segundo a Polícia Federal, alguns dos envolvidos chegaram a atear fogo no parque para facilitar a extração ilegal das pedras (foto: Parque Nacional da Serra da Canastra/ICMBio - 10/01/2016 )

Policiais federais cumprem, na manhã desta quarta-feira (20/2),  mais de 100 mandados judiciais contra uma organização criminosa que extraía ilegalmente, há vários anos, pedras de quartzito do Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais. A ação ocorre simultaneamente em Alpinópolis, Passos, Itaú de Minas, Carmo do Rio Claro, São João Batista do Glória, Piumhi e Belo Horizonte e na cidade paulista de Batatais. 

Ao todo, segundo a Polícia Federal (PF) são 160 mandados expedidos pela Justiça Federal de Passos, sendo 77 de busca e apreensão, 73 de prisão (20 preventivas e 53 temporárias, e 10 apreensões de caminhões. A Justiça também determinou a demolição de alojamentos clandestinos usados pelos extratores e a apreensão de todas as máquinas. 

As investigações começaram há oito meses e revelaram que as pedras extraídas eram transportadas para vários depósitos em Capitólio e Alpinópolis, sendo vendidas posteriormente para diversos estados. 


 
“A fim de facilitar as investigações, os responsáveis pela extração ilegal foram divididos em grupos: Extratores; Negociadores; Vigia; Donos de Depósitos e Motoristas. Dentre os Extratores, alguns exerciam a função de donos de bancos, que correspondem a uma pequena área onde o quartzito é retirado. Os Donos de Depósito encomendavam e adquiriam as pedras dos Extratores, diretamente ou por meio dos Negociadores, executando o beneficiamento do material para posterior comercialização”, detalhou a Polícia Federal, por meio de nota. “Os Motoristas eram responsáveis pelo transporte clandestino das pedras extraídas no PARNA, para os depósitos onde seriam beneficiadas. O Vigia, além de trabalhar como negociador, recebia um percentual para permanecer durante todo o dia em local estratégico no PARNA, avisando aos Extratores e Motoristas sobre qualquer ação dos órgãos governamentais; além de monitorar qualquer veículo que adentrava no Parque”, explicou a PF. 
 
 Além da representação à Justiça Federal, foi apresentada uma perícia demonstrando que houve degradação ambiental pela extração ilegal. Como a atividade era clandestina, não havia plano de manejo. Assim, de acordo com a Polícia Federal, os rejeitos eram depositados em diversas áreas do parque, até mesmo em leitos de rios e nascentes que formam a bacia do Rio Grande. “Esses rejeitos, em época de chuvas, eram levados para o lago de Furnas, além de ficarem espalhados por diversas áreas do PARNA (Parque Nacional). Ao todo, foram identificados nove locais de extração, alguns com mais de dois quilômetros de extensão”, disse a polícia. 

A retirada das pedras era feita com explosivos e ferramentas, sendo que 85% do material era de rejeitos. Envolvidos chegaram a colocar fogo no parque para facilitar a extração ilegal. Todos os presos serão encaminhados ao presídio de Passos. Eles serão indiciados por organização criminosa, extração ilegal de minerais e danos ambientais decorrentes. 

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