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Correio Braziliense

Homenagens marcam um mês da tragédia de Brumadinho

Centenas de moradores se reuniram em uma ponte da cidade para homenagear as vítimas do rompimento da barragem da Vale


postado em 25/02/2019 20:21

(foto: Edesio Ferreira/EM/D.A.Press)
(foto: Edesio Ferreira/EM/D.A.Press)

 

Brumadinho - “Não foi fatalidade nem acidente. Foi crime. O lucro não vale a vida”. Essa é uma das dezenas de faixas erguidas por familiares das vítimas do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Usando roupas brancas, centenas de pessoas se reuniram em uma ponte da cidade para prestar homenagens aos parentes e amigos mortos no último dia 25 de janeiro. Durante o ato, balões brancos foram levados pelos moradores e uma chuva de pétalas foi jogada de um helicóptero. O Corpo de Bombeiros, as polícias Civil e Militar (PM) e outros órgãos que participaram da operação de resgate foram aplaudidos. 
 
 

Daniela Tavares, de 24 anos, continua à procura do pai, funcionário da Vale, que está desaparecido. Ela foi uma das que cantou durante o ato que emocionou todos que estavam presentes. “O último mês foi muito difícil, nós nunca esperamos. Trabalhava lá há 38 anos, no administrativo. Saiu de casa para nunca mais voltar”, contou a jovem. Ela, que canta há anos, postou em seu Instagram um vídeo em homenagem. Depois disso, foi convidada para participar. “Nós temos força e tenho certeza que meu pai gostaria que eu estivesse aqui cantando hoje”, completou.

Além da participação da Daniela, representantes de diferentes religiões se uniram para convocar um minuto de silêncio. 

O momento foi de muito emoção para todos os ali presentes.  “Nossos filhos eles não vão trazer mais. Mas, eu quero justiça. Ela morreu por irresponsabilidade da Vale”, disse Patricia Anísio que perdeu a filha de 28 anos. Letícia Mara, era enfermeira da Vale e deixou marido é um filho de 1 ano e meio. “Foi aniversário dela ontem. Era para estarmos em festa. E o que nós temos para comemorar?”, questionou. Ele contou que a criança chama pela mãe todos os dias: “Ele ainda mamava no peito. Ele nunca mais terá a filha de volta”, contou chorando.

Wilson Francisco Caetano, de 64, sai de sua casa em Pará de Minas, na Região Centro-Oeste, todos os dias para ir até o Córrego do Feijão para buscar por notícias de seu filho. Ele trabalhava em uma empresa que prestava serviços pela Vale e está desaparecido desde o dia 25. “Eu não queria homenagear sua morte. Eu gostaria de homenagear a alegria dele. Eu gostaria de ter ele em casa, após o trabalho, para abraça-lo”, disse. “Eu só quero que devolvam o corpo do meu filho. Ele é meu filho e não deles. Vou continuar na luta até o fim. Não vou dar sossego para eles”, acrescentou.

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