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Correio Braziliense

Em evento da CNBB, reforma da Previdência e problemas no SUS são lembrados

Apesar de os bispos tentarem desvincular a Campanha da Fraternidade de ideais partidários, o lançamento contou com críticas a respeito da reforma da Previdência e o sucateamento do Sistema Único de Saúde (SUS)


postado em 06/03/2019 15:59 / atualizado em 06/03/2019 16:10

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge; o presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha; e o secretário-geral da entidade, dom Leonardo Steiner, durante lançamento da Campanha da Fraternidade 2019(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge; o presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha; e o secretário-geral da entidade, dom Leonardo Steiner, durante lançamento da Campanha da Fraternidade 2019 (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou oficialmente, nesta quarta-feira de cinzas (6/3),  a Campanha da Fraternidade e traz como tema "Fraternidade e Políticas Públicas" e o lema "Serás libertado pelo direito e pela justiça - (Is 1,27)". Apesar de os bispos tentarem desvincular a campanha de "guias ideológicos e partidários", o evento acabou recheado de críticas a respeito da reforma da Previdência e ao sucateamento do Sistema Único de Saúde (SUS). A CNBB, por sua vez, afirmou não ter um posicionamento oficial sobre a reforma.
 
Entre os convidados, o médico cardiologista e criador do Observatório de Saúde do Distrito Federal, Geniberto Paiva Campos, questionou se a proposta "seria um retorno ao século 19". Sobre o SUS, a representante do Conselho Nacional de Saúde Vânia Lúcia Ferreira Leite citou a Emenda Constitucional 95, que instituiu o teto de gastos, como exemplo de mudanças que podem comprometer o financiamento do sistema. 
 
O presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha, ressaltou que "as políticas públicas devem assegurar e efetivar direitos fundamentais da população, a começar dos mais pobres e vulneráveis". "O bem dos pequenos e fragilizados é critério para assegurar se a política está efetivamente a serviço do bem comum. Os pobres e excluídos não podem ser esquecidos; ao contrário, devem ser considerados com especial atenção e elaboração de políticas públicas." 
 
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, também presente no evento, destacou problemas que devem ser abordados pela temática da CNBB. "Os que sofrem de doenças raras ou incuráveis, que necessitam de mais pesquisa científica ou de medidas que aliviem a dor; com os que padecem de doenças curáveis ou controláveis e necessitam de diagnóstico mais rápido, de medicamentos constantes e de assistência mais próxima de suas casas; com os que perdem a vida em estradas mal preservadas e mal sinalizadas; com os que sofrem sede de água potável ou são forçados a sobreviver com acesso precário ou águas impróprias para consumo humano; com os que precisam de educação de qualidade, para romper o ciclo da miséria e para garantia do desenvolvimento nacional."
 
Dodge citou ainda a necessidade de estímulos pela erradicação da violência doméstica e medidas para evitar o rompimento de barragens, lembrando o caso Brumadinho (MG). Segundo a CNBB, o texto-base da Campanha da Fraternidade chama a atenção para o fato de que falar de "políticas públicas" não é falar de "política" ou de "eleições", mas significa se referir a um conjunto de ações a serem implementadas pelos gestores públicos.

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