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Correio Braziliense

Polícia investiga casos de picadas de agulha no carnaval, em Pernambuco

Secretaria de Saúde do Estado divulgou boletim afirmando que ao menos 25 pessoas foram vítimas. A pena para esse delito é de quatro anos em regime fechado


postado em 07/03/2019 11:07

Hospital Correia Picanço - referência estadual no tratamento de doenças infecto-contagiosas(foto: Annaclarice Almeida/DP)
Hospital Correia Picanço - referência estadual no tratamento de doenças infecto-contagiosas (foto: Annaclarice Almeida/DP)

A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar os casos de picadas de agulha relatados por, pelo menos, 25 pessoas durante o período de carnaval em Pernambuco. A corporação vai enviar um ofício ao Hospital Correia Picanço para identificar as declarações das vítimas que foram buscar atendimento médico na unidade de saúde. A pena para esse delito é de quatro anos em regime fechado. 

Durante o período carnavalesco, várias pessoas dirigiram-se ao hospital Correia Picanço - referência estadual no tratamento de doenças infecto-contagiosas – no bairro da Tamarineira, relatando terem sido furadas por seringas. Na manhã dessa quarta (6/3), a Secretaria de Saúde do Estado divulgou boletim afirmando que o número de vítimas subiu para 25. Deste quantitativo registrado, pelo menos 15 eram mulheres, com idade variando entre 17 e 46 anos. 
 
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou ainda que, desde o último sábado (2/3) de Carnaval, está monitorando os registros da saúde por meio do software Ambiente de Monitoramento de Risco (Amber). Afirma que todos os pacientes admitidos na unidade passaram pela profilaxia pós-exposição (PeP), tratamento padrão usado na prevenção da infecção pelo HIV, e foram liberados após avaliação médica, com a orientação de retorno após 30 dias para conclusão do tratamento. A SES informa, ainda, que, segundo os relatos repassados pela maioria das vítimas, as autoridades policiais não chegaram a ser acionadas. Os pacientes foram orientados a procurar os órgãos competentes para investigação das ocorrências, já que as investidas podem ser tipificadas como crime.

Por fim, a SES destaca que os registros da saúde estão sendo monitorados, 24 horas por dia, no Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (CIOCS), sala de situação instalada na sede da SES.  O trabalho funciona conectado às notificações do AMBER, que produz relatórios em tempo real com os dados gerados nos serviços de saúde.

Casos


Um dos casos - Uma moradora de Casa Amarela, Zona Norte do Recife, teria sofrido um ataque de um seringa durante o show do Monobloco na madrugada da última segunda-feira (4/3). O relato foi feito por uma amiga que estava presente, Maria Rita Aderaldo, que veio do Distrito Federal para curtir o Carnaval.  O relato foi dado por Maria Rita que quis preservar a identidade da amiga. "No meio do show de Monobloco, no Marco Zero, estamos de saída quando um homem, vestido de branco, veio na direção oposta e furou a minha amiga", relata.

Como em casos como este, a primeira suspeita é de infecção com o vírus HIV, Maria Rita, que estava acompanhada do marido, levou a amiga para o hospital Correia Picanço, que é especializado em infectologia. "Chegando lá, o segurança, alguma enfermeiras e a chefe do plantão nos informaram que, no dia anterior, durante o galo da madrugada, mais oito pessoas haviam dado entrada na emergência pelo mesmo motivo", destaca a turista.

Seguindo o protocolo, a moradora atacada fez o exame para constatar a presença ou não do vírus. "Como foi informado pela chefe de plantão, era preciso constatar se minha amiga havia sido, de fato, infectada. Esperamos duas horas pelo resultado do exame, que foi negativo, para ela poder tomar o coquetel profilático, que garante até 100% de não contaminação", aponta Maria Rita.

Diante do ocorrido, a turista decidiu não mais participar do Carnaval do Recife. "Nós ficamos com medo e, por isso, decidimos ir para a casa de parentes em Fortaleza. Infelizmente, depois do que aconteceu, eu não tenho mais vontade de voltar", finaliza.

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