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Correio Braziliense

Laudo aponta que João de Deus tem depressão e já pensou em se matar

Laudo foi feito por um psiquiatra a pedido dos advogados do médium, que continua negando as acusações de abuso sexual feitas contra ele por dezenas de mulheres


postado em 09/03/2019 10:56

(foto: Mônica Bergamo/TV Folha/Reprodução )
(foto: Mônica Bergamo/TV Folha/Reprodução )
Laudos psiquiátricos encomendados pelos advogados de João de Teixeira Faria, conhecido como João de Deus, apontam que o médium de 77 anos está com depressão severa e que já pensou em se matar na cadeia. O conteúdo dos documentos foi revelado em reportagem da revista Veja.

Assinado pelo psiquiatra Leo de Souza Machado, o laudo afirma, em determinado momento, que João de Deus “só não cometeu suicídio pois ainda tem sua filha pequena e não quer morrer sem voltar a vê-la, além de não querer 'contrariar a Deus’". O documento sugere a internação do detento em um hospital.

João de Deus está preso preventivamente em Aparecida de Goiás desde dezembro, depois que denúncias de abuso sexual cometidos contra pacientes durante sessões de cura espiritual vieram à tona. Centenas de mulheres de várias partes do país e do exterior procuraram a Justiça para relatar as violências que teriam sofrido do médium, que mantinha havia décadas um centro espiritual em Abadiânia (GO).

Higiene

À revista, João de Deus disse que sua vida na cadeia tem sido muito difícil. Tem dificuldade de andar e precisa da ajuda de outros presos para se mover e até mesmo sentar no vaso sanitário. “Sou muito grato a eles”, disse.

No laudo, o psiquiatra revela ainda que encontrou o médium em estado precário de higiene, com manchas de urina na calça e mau hálito, sugerindo que ele não tem feito a higiene bucal adequadamente, o que reforçaria o diagnóstico de depressão severa.

Ao falar com a revista, João de Deus disse voltou a dizer que é inocente e negar as acusações feitas contra ele. “Não pratiquei abuso contra ninguém”, afirmou. “Eu tenho dificuldade de entender como as pessoas se dispõem a falar de coisas ocorridas há 40 anos. Mais do que isso, acho inacreditável que uma pessoa que se sinta violentada volte outras vezes a ser atendida. Não faz sentido”, justificou.

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