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Correio Braziliense

Justiça concede habeas corpus a João de Deus; médium, porém, seguirá preso

Benefício foi concedido em um caso de coação de testemunhas, mas João tem outros dois decretos de prisão: por abuso sexual e porte de arma


postado em 12/03/2019 17:29 / atualizado em 12/03/2019 17:43

(foto: Evaristo Sá/AFP)
(foto: Evaristo Sá/AFP)
 
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) concedeu nesta terça-feira (12/3) um habeas corpus ao médium João de Deus e ao filho dele, Sandro Teixeira, em um caso de coação e corrupção de testemunhas, ocorrido em 2016. Sandro deve deixar a cadeia. O religioso, porém, permanecerá preso, já que possui outros dois decretos de prisão: por abuso sexual e porte de arma.

João de Deus está preso preventivamente desde 16 de dezembro em razão da acusação de estupros em série durante atendimentos espirituais na Casa Dom Inácio de Loyola — centro espiritual que o médium mantinha na cidade de Abadiânia (GO). Durante operações em endereços ligados a ele, foram encontradas armas, pedras preciosas e mais de R$ 1,6 milhão. Segundo promotores de Goiás, o Ministério Público já recebeu 688 contatos sobre o médium, dos quais foram identificadas 300 vítimas.

Um dos advogados de João, Alex Neder comemorou a decisão. "É uma conquista muito importante, porque a Justiça está reconhecendo que vê um excesso de acusação. De três prisões, viu que essa não tem fundamento e já modificou a situação", disse. 

A defesa afirma, ainda, que está recorrendo ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter os outros dois pedidos de prisão. "Hoje foi uma grande conquista e nós vamos continuar lutando pelo direito de liberdade do senhor João", pontuou Neder, acrescentando que o médium está com a saúde debilitada na cadeia e já chegou a perder 20Kg.

Junto ao habeas corpus, a Justiça expediu uma Medida Cautelar, proibindo que pai e filho se aproximem da testemunha que teria sido coagida. Segundo o TJGO, ela hoje estaria morando em São Paulo. Para o advogado de Sandro, tal decisão foi "desnecessária". "No depoimento, ela [testemunha] narra que o Sandro nunca a procurou, que o João nunca a procurou. O Sandro nunca deu motivo para uma situação dessa. Ele nunca esteve coagindo ninguém. A medida cautelar é totalmente desnecessária, porque ele nunca cometeu um ato que fosse próximo a isso", justificou.

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